Entrevistas

3 em 1

Screenshot_1

Diretor da Magic, Rodney Repullo, conta como o Magic Xpa é capaz de criar de apps para web, Cloud e mobile de uma só vez

Em tempos de web design responsivo, múltiplas plataformas e vários sistemas operacionais disponíveis, oferecer mais que um app é essencial. Mas há quem gaste algum tempo trabalhando em várias versões de seus aplicativos para diversas plataformas. Algumas soluções podem ajudar a economizar algumas horas e facilitar a vida do desenvolvedor. A ferramenta Magic Xpa surgiu com esta proposta, segundo o diretor geral da Magic do Brasil, Rodney Repullo.

O xpa – que dá nome ao programa – funciona como uma espécie de framework genérico, que de acordo com o executivo, foram feitas para ser “à prova do futuro”. Sem um padrão definido, não seria possível haver uma “validade” para a ferramenta. O sistema permite o desenvolvimento de aplicações ricas de internet (RIA), web, mobile e cloud ao mesmo tempo e a partir de apenas uma ferramenta. Por trás do servidor, as aplicações podem funcionar com base em Microsoft Windows, Solaris, AIX Unix, Linux e IBM i. O serviço multiplataforma ainda pode oferecer integração com algumas linguagens já conhecidas, como Java, NET e HTML5, por exemplo.

Entretanto, a empresa afirma que não há a necessidade de linguagem. Mesmo com as possibilidades de programação que existem hoje em dia, o executivo ressalta a importância, de não se prender a uma só linguagem: “Essa questão é muito delicada. Às vezes você fica com uma visão muito técnica. Você gosta e trabalha com Java, por exemplo. Mas, ele pode não ser viável para alguns tipos de aplicação. E o que importa para uma empresa ou cliente, não é o que você gosta. Mas o que traz dinheiro e produtividade”. Repullo ainda lembra a questão da limitação de plataformas: nem sempre o que funciona no iPhone serve em Android. O Magic Xpa possui suporte para, iOS, Windows Mobile e Android. O apoio ao Windows Phone deve chegar em breve.

“A Magic é muito orientada ao mercado e ainda não temos certeza se o Windows Phone vai decolar. Eu acredito particularmente que ele vai ter a sua participação no mercado. Mas ainda não participa das estatísticas. E ainda é uma plataforma complexa para se desenvolver.”

Por trás da mágica
Em uma demonstração, Repullo mostrou o software em funcionamento. Ao abrir o Xpa Studio – a ferramenta de criação em si – é possível preencher formulários, criar a lógica do sistema para dar forma ao app e testá-lo usando uma máquina virtual no computador. “E o que diferencia uma aplicação para desktop para uma mobile? O tamanho da tela. No mesmo programa, posso rodar o aplicativo em um ambiente Windows, em nuvem ou simular uma tela pequena para um dispositivo móvel como um smartphone ou até tablet”, explica o executivo. O software não conta com emuladores para os sistemas operacionais, o que obriga o usuário a procurar o produto
para teste no Android, do Google, e no iOS, da Apple. Em todo caso, cada mudança feita no aplicativo pelo programa irá ser aplicada à todas as versões abertas do app em tempo real. Daí a economia de tempo.

Para as aplicações web, Repullo reconhece que há limitações: “Também temos condição de desenvolver para a web, há até exemplos de modelos HTML5 feitos dentro do próprio dispositivo. A vantagem é a possibilidade de fazer uma aplicação nativa e híbrida, mas a experiência para o usuário não é das melhores. Entretanto a única vantagem da web é que ela é multiplataforma. Só que isso a gente já é, com aplicações nativas. Então não tem muito sentido desenvolver para a web com o xpa. O principal benefício de uma aplicação híbrida é a possibilidade de integração com câmera, GPS, e outros recursos do dispositivo. E um app para a web não há esse tipo de acesso”.

No caso de aplicações web prontas, o executivo assegura que dá se um jeito: “Temos como encapsular o app em forma nativa de xpa e disponibilizar para uso na
ferramenta. Pelo caminho da integração se as minhas rotinas estão em Java, .NET ou PHP, por exemplo, tenho como fazer com que o xpa chame um aplicativo nessas linguagens. Com exceção das telas e do visual do app, todos os códigos são aproveitáveis. Não se trata de conversão nem de migração. É um reaproveitamento dos códigos existentes”.

Muitos podem enxergar uma tendência Mobile-First no Magic xpa. Mas não por completo como explica o executivo: “Essa estratégia é mais voltada para quando há uma
dificuldade em escolher o primeiro passo. Com o xpa é possível criar apps para web também. O usuário pode usar a mesma tecnologia de desenvolvimento de um aplicativo mobile na internet e vice-versa”.

Segundo a Magic, o xpa se enquadra no quesito RIA (Rich Internet Aplication). “Entramos no mundo do Cloud e do Mobile através do RIA e a nossa forma de trabalho
tanto para apps web quanto mobile é através desse conceito, que nada mais é a possibilidade de entregar uma boa experiência de usuário através de uma interface rica”,
contou Repullo e ainda ressalta que a empresa decidiu fugir das limitações de browsers: “O conceito de interface rica funciona fora do browser. Funciona como um módulo de execução como o Skype faz, e a partir daí, você pode usar a aplicação fora do navegador. Fugimos da loucura que são os browsers. Hoje para criar uma aplicação, você precisa se guiar pelo pior. Mas como não existe um navegador pior em tudo, é preciso pegar o que há de ruim em todos para basear o seu aplicativo”.

Sobre a possibilidade de colocar a aplicação na nuvem o executivo esclarece que a ferramenta oferece o ambiente para Cloud mas não o serviço em si: “ Você consegue
desenvolver uma aplicação e colocar na nuvem. O que não fornecemos é a infraestrutura, daí é preciso contratar um serviço como os da Amazon ou Localweb, por exemplo”.

Web design e desenvolvimento
Os designers de plantão devem estar se perguntando: como ficam os layouts e elementos visuais? O Xpa Studio permite que o desenvolvedor crie interfaces diretamente
na ferramenta, mas para um visual mais incrementado é preferível soltar a criatividade em um programa de edição de arte e depois exportar o trabalho para o xpa, como explica Repullo: “Obviamente, a parte de experiência do usuário fica por conta do desenvolvedor. Todo o design pode ser feito na ferramenta. Mas se você quiser fazer uma arte mais elaborada, é possível criá-la em outro lugar e trazê-la para dentro da ferramenta. Além de imagens, até uma animação em Flash, por exemplo, pode ser adicionada, embora a linguagem já não esteja mais sendo utilizada. Mas aí temos uma limitação do mercado no caso de dispositivos móveis (Android e Apple)”.

Os desenvolvedores e web designers podem chegar até à ferramenta por dois caminhos. “Há uma versão gratuita da ferramenta que é completa. A única imposição é que ela é dedicada apenas para aplicações voltadas a monousuários”, explica Repullo. O sistema monousuário é aquele em que um software ou aplicação é de uso individual. “Também há cursos on-line de graça, o que inclui o material didático. E existem alguns específicos para cada necessidade, como desenvolvimento para Android, por exemplo”, conta o executivo. O suporte da empresa para a versão gratuita é totalmente on-line e feito pela sede da empresa que fica em Israel. “Além disso, ainda há uma comunidade de 4239 desenvolvedores de todo o mundo (community.magicsoftware.com/), grupo no Facebook e Yahoo Groups. O conhecimento está aberto e quem quiser pode se desenvolver sozinho dentro dessa plataforma gratuita”.

Já a versão comercial é voltada para o mercado corporativo. “Há dois grupos: um voltado pra projetos específicos de uma empresa ou para desenvolvimento em grande
escala”. As licenças custam US$ 1.000 por desenvolvedor e taxa de manutenção de 18% ao ano. Para o desenvolvimento em larga escala o preço pode ficar de 100 a 5 dólares por usuário. Neste modelo, há todo o tipo de suporte do presencial ao e-mail. No Brasil, 150 empresas fazem uso do xpa, como a Cigam, que faz sistemas de gestão corporativos para cerca de 3 mil clientes e a Reta, desenvolvedora de sistemas de gerenciamento educacional.

Sua majestade, o usuário
Embora a ferramenta seja de grande ajuda na economia de tempo, o tratamento dado ao usuário é por conta do desenvolvedor. Algumas considerações devem ser feitas
antes de se criar um app para diversas plataformas. Repullo concorda: “O usuário de smartphone não é o mesmo do usuário do tablet e do desktop. São necessidades
diferentes e a arquitetura da aplicação varia de uma plataforma para outra. A ferramenta consegue fazer com que o app rode em todas as plataformas sem a obrigação de se
fazer uma versão para cada. Mas para mobile o app precisa ser simples e com poucos cliques. O User Experience é crucial. Falamos sobre o assunto em nossos cursos mas não é uma característica da ferramenta”. Afinal, a máquina não faz tudo. “Ainda bem!”, completa o executivo.

  Entrevista originalmente publicada na edição 147 da Revista W, na seção P&R. Todos os direitos reservados (Revista W e Editora Europa). Toda e qualquer reprodução deve citar a fonte original 

 

Comente