Opinião

A nova publicidade on-line

opinião

Cada vez mais empresas estão aproveitando memes e até fabricando virais para se promover na internet. Algumas conseguem bons resultados e outras, nem tanto

* Por Samuel Mucin

A web mudou drasticamente o jeito de fazer propaganda. Com as redes sociais e um alvo muito maior de público, as marcas agora têm que sambar para conquistar consumidores on-line.  A estratégia do momento tem sido a de aproveitar virais que se popularizam rapidamente na rede. O cenário coloca uma reflexão: até que ponto um conteúdo publicitário da web pode ser considerado sério?

É difícil saber o que o consumidor pensa, o que pode dar certo ou o que pode se transformar em uma catástrofe seguida de um gerenciamento de crise. Tudo se espalha em um instante neste mundo cibernético.

Para citar um exemplo mais neutro: a famosa marca de chocolates Cacau Show postou recentemente em sua página no Facebook uma imagem de um chocolate. Até aí, nenhuma novidade. Mas, na legenda a empresa disse que se tratava de uma nova funcionalidade da rede social, que permitia que o usuário sentisse o gosto da guloseima lambendo a tela.

Sim, teve quem acreditou! O resultado foi o maior “bafafá” na página da empresa, acusações de propaganda enganosa, ridicularização do cliente, entre outras coisas. Pois é. Chegamos a este ponto. A marca, obviamente, pediu desculpas e disse que a brincadeira foi uma resposta aos consumidores que comentavam nas imagens dos produtos que adorariam poder “avançar” na tela por um pedaço de chocolate. Mas houve também os que gostaram da pegadinha, elogiaram a criatividade e ainda debocharam de quem caiu. O caso mostrou os dois lados da moeda.

Em outro exemplo, a publicidade acabou negativa. Para divulgar sua nova coleção de roupas com números especiais, a C&A resolveu publicar uma foto de sua garota propaganda, Preta Gil, no Facebook. Mas a imagem estava tão carregada de efeitos do Photoshop que a cantora ficou deformada (http://bit.ly/18fpaew). Os internautas não perdoaram e as críticas choveram na página da empresa. A campanha chegou a virar piada em blogs de humor e a empresa teve que pisar em ovos para administrar a situação.

Mas também há espaço para ideias bem sucedidas. Um usuário do Twitter disse que estava na dúvida sobre em qual banco abrir uma conta, Itaú ou Santander. Para decidir, ele compartilhou o seguinte tuíte, com os perfis das duas empresas marcados: “vou ficar com quem vencer 1 batalha de rima entre os dois”. Qual não foi a surpresa quando as duas instituições financeiras aceitaram entrar na brincadeira? “Santander é um Banco manero, bom lugar p/ poupar dinheiro. Aqui vc ñ perde nada, escolha sua conta combinada”, tuitou um banco e teve como resposta: “Vc pode conhecer outros bancos e tem a opção de escolher, mas lembre que só o Itaú foi feito para você!” (http://abr.ai/H4u48f).

No fim das contas, queremos publicidade divertidas e descoladas. A internet facilita e dificulta as coisas. É uma faca de dois gumes que os publicitários precisam dominar. Para nós, internautas, a dica é não levar tudo muito a sério. Lembre-se que a “licença poética” ainda existe, sobretudo na web.

Samuel de Paiva Mucin é um viciado em Star Wars, fundador e curador do Plantão Nerd (www.plantaonerd.com), onde comenta os principais assuntos da cultura nerd e geek. @PlantaoNerd

Publicado originalmente na Revista W 161 (Todos os direitos reservados). Qualquer reprodução total ou parcial deve citar a fonte.

Comente