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Backpacker tem como foco o aprendizado

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Startup oferece plataforma que já ensinou inglês para mais de 60 mil usuários

Por Maria Beatriz Vaccari

O Backpacker é resultado do desejo de três amigos que queriam desenvolver uma iniciativa de impacto social. Segundo um levantamento feito pela Education First EF, empresa que realiza intercâmbios culturais, o Brasil está no ranking dos 15 piores países quando o assunto é conhecimento da língua inglesa por parte das pessoas. A startup tem como objetivo principal melhorar esses números e fornecer formas rápidas e divertidas de aprender inglês.

Atualmente, o site do Backpacker já conta com mais de 60 mil usuários cadastrados que podem aprender de forma gratuita. Caio Braz, um dos fundadores da empresa, explica que os jogos disponibilizados na web são uma boa oportunidade. “As soluções off-line existentes possuem ticket mensal elevado, em média R$ 225 por mês, o que os torna pouco acessíveis, principalmente para classes C e D.”

Como funciona

O Backpacker funciona como uma ferramenta de aprendizado via web. Ao acessar o site da empresa, o usuário consegue escolher entre cinco tipos de jogos. Todos eles são focados no aprendizado da língua inglesa.

“Qualquer pessoa pode usar a plataforma. Jovens, jovens adultos, professores de inglês e até os mais velhos”, explica Braz. Para começar a jogar basta fazer um cadastro gratuito.

Braz afirma que o jogo Feel the Music é a principal ferramenta da startup. “Ele serve para praticar inglês com música. O aluno preenche as lacunas à medida que a canção toca, escolhendo uma das três opções de resposta. Ao acertar as palavras, ele pode desbravar novas músicas e níveis”, explica. A dificuldade aumenta conforme as partidas e é personalizada para cada usuário (single ou multiplayer).

As pessoas também podem optar pelo Mundo Virtual Backpacker, que ensina inglês por meio de uma viagem virtual a Nova York. O usuário cria um avatar e pode conversar com outros jogadores via chat on-line. O objetivo é cumprir missões por meio de diálogos estruturados, todas relacionadas e contextualizadas no cenário do game.

As interações de ensino de inglês são usadas para aprimorar vocabulário, gramática, audição, escrita e leitura. Elas são feitas por meio de aulas, exercícios e minigames. Braz conta que a startup também oferece esse serviço para algumas escolas.

No site o usuário também conta com dois tipos de interfaces de programação de aplicações (APIs): a de reconhecimento de voz e avaliação de pronúncia e a de sistema de ensino adaptativo. Na primeira, é possível obter uma nota em tempo real sobre a pronúncia de algumas expressões. A segunda é indicada para escolas, blogs e plataformas on-line, pois com ela é possível identificar o aprendizado do aluno e recomendar interações de ensino.

Investidores e monetização

Apesar de oferecer serviços gratuitos, a startup encontrou formas de ganhar dinheiro com a plataforma. “Se o usuário quiser acesso a músicas exclusivas, ter uma página de diagnóstico do seu aprendizado ou obter acesso a mais experiências divertidas de aprendizado, ele pode pagar R$ 9,90 por mês”, explica o fundador.

A empresa também cobra mensalidade das escolas que usam o game Feel The Music em sala de aula. Os professores recebem um dashboard especial para acompanhar cada aluno. Os sistemas de API são cobrados via licença anual, somado a um custo mensal por aluno.

A startup também recebe apoio de três instituições. A parceria com a Endeavor Brasil (https://endeavor.org.br) começou quando o Backpacker ganhou o programa Bota Pra Fazer 2011. Depois disso, a Endeavor passou a fornecer servidos focados em mentoria. Os empreendedores também participaram do programa de aceleração da Artemísia Negócios Sociais (http://www.artemisia.org.br/), recebendo mentorias e participando de workshops. A Webforce Networks (http://www.webforce.com.br/pt/) deu apoio e infraestrutura tecnológica. Além disso, a instituição também foi responsável pelo processo de investimento anjo.

Uso da tecnologia no ensino

Caio Braz acredita que a tecnologia deve servir como suporte para o aprendizado. “Os recursos devem servir para otimizá-lo, personalizá-lo e reduzir custos. Por isso, o Backpacker foi criado com três conceitos: educação, entretenimento e tecnologia”, conta.

“O propósito é ensinar. Para a gente, a mídia importa muito e, por isso, o entretenimento. Acreditamos também que a tecnologia pode ser usada para dar suporte ao aprendizado, para prover uma experiência melhor e para ajudar a customizar o ensino para cada aluno”, diz Braz.

Começo de tudo

O Backpacker foi fundado por três empreendedores: Caio Braz, Bruno Picinin e João Lucas Norões. Atualmente a startup também conta com os sócios Gustavo Loureiro, Homero Esmeraldo, Ana Maria Cristina Cuder e Caio Mário Paes de Andrade.

Braz já havia trabalhado com empreendedorismo antes. “Tive duas ótimas oportunidades de montar duas organizações dentro do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), enquanto eu ainda era universitário: uma para captar recursos de ALUMNI e empresas para projetos de impacto dos alunos, a Associação Acadêmica Santos-Dumont (AASD); e a outra foi o Centro de Empreendedorismo do ITA em 2011”, explica o empresário. “Ao longo da faculdade, sempre nos engajamos muito com projetos sociais e queríamos juntar essa vontade ao mundo dos negócios e da tecnologia que vivíamos no ITA”, conta Braz.

O trio começou a se interessar cada vez mais pelo campo das soluções de impacto social. Braz ressalta que participaram de consultorias, estágios, competições de desenvolvimento, montaram planos de negócios e até foram vivenciar de perto o social business de Muhammad Yunus, o Prêmio Nobel da Paz de 2006, em Bangladesh.

A oportunidade no país asiático levou os jovens a um mochilão pela Europa. Durante o passeio, Braz e Norões perceberam que, apesar de terem feito cursos de inglês, não tinham aprendido direito. Eles melhoraram muito durante o tour e decidiram compartilhar essa oportunidade com outras pessoas por meio do Backpacker.

Seção Novas Ideias da Revista W edição 180

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