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Coworking: Compartilhe ideias e espaço

Plug N'Work - Espaço (5)

Se você trabalha em casa e não tem espaço para montar um escritório no meio da sala ou teve um faniquito e decidiu abrir um negócio, mas não sabe como começar, os escritórios coletivos – ou coworkings – podem ser a solução para seus problemas. “São espaços de colisão e colaboração entre quem ali trabalha. É um lugar que permite que as pessoas se conheçam e que suas expertises sejam compartilhadas”, explica o sócio do coworking Plug N’Work, Bruno Freitas.

“Normalmente, um escritório coletivo é usado por freelancers, pequenas e médias empresas, startups, artistas e empreendedores de todos os tipos. Quanto mais diversificado, mais interessante”, conta o sócio-diretor do coworking Give Me a Hub, Felipe Chiaramonte. “Mesmo que o espaço ofereça mais vantagens a um nicho de profissionais, ele se torna atrativo, pois agrega talentos distintos que podem trabalhar em conjunto.”

Enquanto alguns lugares são mais alternativos e cheios de personalidade com grafites, pinturas e retratos espalhados pelas paredes, outros espaços são mais sóbrios e impessoais. Independentemente do estilo, o importante é se sentir bem no coworking. “Leve seu computador e passe uma tarde ali. Faça um test drive, sinta o local”, aconselha a fundadora do escritório coletivo CWK, Bruna Lofego.

Antes de se empolgar com a ideia e juntar seus trapos para fazer parte desse conglomerado, é importante entender como funciona um escritório coletivo, qual seu custo e para que tipo de pessoa ele é relevante. Para te ajudar a entender o conceito, a Revista W conversou com especialistas e usuários dos espaços, que esclarecem pontos importantes.

Network
Um dos maiores trunfos de trabalhar em um escritório coletivo é ter acesso a uma vasta rede de contatos. Para acionar alguém deste networking é simples. Basta sair caçando pelo espaço um profissional que se encaixe ao que você procura. “As conexões se formam de maneira natural devido à variedade de áreas que se unem no mesmo ambiente. A troca de conhecimento e experiências são mais fáceis de ocorrerem do que em um local fechado”, diz a growth hacker da Aldeia Coworking, Letícia Paiva.

Esse tipo de estratégia facilita e incentiva a troca de informações e de serviços. Os propósitos e projetos individuais acabam se tornando coletivos quando se trabalha nestes ambientes. “É como uma combustão, uma mistura que gera retorno em negócios, mas que também deixa o ambiente energético, no qual há pessoas querendo crescer e com maior motivação”, afirma Chiaramonte.

Além de parceiros para um trabalho aqui e outro acolá, também é possível encontrar sócios para começar um novo negócio. Na Plug N’Work, inclusive, isso já ocorreu. “Dois caras que trabalhavam em nosso espaço, um designer e um desenvolvedor de software, fizeram alguns projetos juntos e se deram muito bem. Então, resolveram largar suas demandas individuais e se juntar. Eles ficaram grandes e agora estão com uma equipe fora do daqui”, conta Freitas. “São essas histórias que nos mostram que podemos conectar as pessoas certas na hora certa.”

Tipos de ambientes
Normalmente, os coworkings possuem três tipos de espaços para se trabalhar. São eles: salão aberto, box e sala privativa. O primeiro possui mesas espalhadas e as pessoas podem sentar onde acharem conveniente. Os especialistas entrevistados pela Revista W dizem que é importante escolher lugares diferentes todo dia para conhecer pessoas e projetos novos.

O segundo modelo possui pequenas divisórias que, geralmente, são de vidro. “O objetivo é dar uma privacidade um pouco maior à acústica de nosso cliente”, explica o parceiro de Freitas e sócio-fundador da Plug N’Work, Jorge Pacheco. “As separações são sempre transparentes para que todas as pessoas se vejam e se conheçam.” Por fim, as salas são opções maiores e que proporcionam mais privacidade ao usuário.

Além dos três já citados, alguns escritórios coletivos oferecem outros tipos de ambientes. Por exemplo, na Plug existem auditórios, já a Give Me a Hub conta com ateliê e estúdio de fotografia e vídeo, enquanto a Aldeia Coworking oferece salas para pesquisa e teste de usabilidade. Vale lembrar que não são apenas os mensalistas que podem utilizar qualquer um destes espaços. Qualquer um pode reservá-los, mas, claro, quem é de fora deve pagar uma taxa.

“Todas as estruturas oferecidas pelos coworkings contam com internet de alta velocidade, eletricidade, salas de reunião, cozinha equipada, limpeza, café, água, armários, segurança, recepcionista, impressora e todo o mobiliário necessário para um bom escritório”, garante a gerente de marketing e projetos do Ambiental Office, Kelly Gequelim Skrzypietz Ferrer. As contas de telefone, motoboy e outros serviços são pagos a parte.

Custo x Benefício
Como são vários fatores envolvidos, uma dúvida comum é se vale a pena apostar em escritórios coletivos para iniciar um negócio. Se você é um profissional autônomo, trabalha com home office ou tem uma empresa pequena, este é o tipo de negócio pode ser indicado para você. “O coworking é mais vantajoso porque oferece uma estrutura completa sem ter um custo elevado. Ao alugar uma sala comercial, por exemplo, você fica preso em um contrato de no mínimo seis meses, necessita de fiador, tem despesas com limpeza, água, internet, IPTU, luz”, diz Kelly. “No escritório coletivo você paga uma taxa única de acordo com o plano escolhido e usufrui de toda a estrutura. Além disso, você faz o pagamento e a partir daí tem X dias ou horas para usar o espaço. Quando seus créditos acabam, você faz um novo depósito e está livre para mudar de pacote ou lugar, caso não tenha se adaptado.”

Ao optar por uma sala comercial, o custo fixo de locação, reforma, compra de mobiliário e outros serviços certamente serão maiores do que ao estar em um coworking. “O custo seria inviável para um pequeno empreendedor ou autônomo em um primeiro momento do negócio e poderia comprometer o giro de uma empresa iniciante”, conta Chiaramonte.

É claro que conforme seu negócio for crescendo é mais cômodo partir para um lugar próprio. “Se formos fazer simplesmente a conta na ponta do lápis, talvez para empresas acima de 20 pessoas já comece valer a pena ter seu próprio espaço”, alega Pacheco. Apesar da afirmação, sempre existem os pontos fora da curva. A desenvolvedora de softwares Carambola, por exemplo, possui 24 funcionários acomodados no salão aberto da Plug N’Work e vai muito bem, de acordo com eles.

Freitas afirma que a ideia da maioria dos coworkings é, pelo menos, devolver em negócios o valor que se paga na mensalidade. “Se a pessoa está fazendo networking, nos permitindo fazer conexões com o mercado para trazer cliente e pensarmos em projetos juntos, podemos provar que trazemos mais do que o próprio aluguel que se gasta aqui.”

Preço
O custo para trabalhar em um escritório coletivo varia de acordo com a região em que o espaço está localizado. Enquanto nos centros de grandes cidades os preços tendem a ser mais altos. Em regiões afastadas o gasto cai. Mas, em boa parte, as mensalidades ficam entre R$ 500 e R$ 900.

A Plug N’Work possui três escritórios em São Paulo (um em Pinheiros e dois no Brooklin). Para trabalhar no espaço aberto, o valor é R$ 800. Nos boxes, R$ 1.800. Nas salas privativas, até R$ 2.500. Na Give me a Hub, localizada na Praça da República, região central de São Paulo, os preços do workstation estão em R$ 590. As salas de 9 m², R$ 1.530. As de 12 m², R$ 1.950.

Em Curitiba, no Paraná, a Ambiental Office cobra de R$ 196 a R$ 550. “Os pacotes variam pela quantidade de dias na semana que o coworker utiliza o espaço e o período”, explica a gerente de marketing e projetos, Kelly. Na mesma cidade, a Aldeia Coworking pede R$ 610 no full time e de R$ 120 a R$ 540 pelo plano de horas.

A CWK, que atua em São Paulo, Belo Horizonte (MG) e Brasília (DF), cobra R$ 720 como preço cheio para quem trabalha o dia inteiro.

Resultados e dicas
De acordo com os especialistas entrevistados pela Revista W, o ambiente descontraído e com uma forte rotatividade de pessoas estimula a criatividade e aumenta a produtividade dos profissionais que trabalham nos escritórios coletivos. “Um usuário pode ajudar o outro ou criar conexões, estabelecendo novos contatos e criando novas amizades”, diz Kelly.

Freitas conta que cerca de 150 mensalistas trabalham diariamente nos três espaços da Plug, mas o fluxo de gente dobra fazendo com que as relações sejam plurais e a interação seja maior. “São clientes e parceiros que vem e vão do espaço. Então, sabemos que temos milhares de pessoas aqui toda a semana”, diz.

Por fim, vale ressaltar que, por ter muitas pessoas trabalhando no local, algumas regras de convivência são necessárias para manter o modelo de coworking funcionando. “Você não será o único a utilizar aquele escritório. Então, manter a organização, lavar a louça que sujou, não mexer nas coisas das outros usuários são algumas dicas básicas”, afirma Kelly. Também não se empolgue muito ao telefone, arrume a sala de reunião e, principalmente, seja simpático com todos que solicitarem sua atenção.

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