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Crowdfunding: pouco dinheiro, muitos projetos

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Plataformas de financiamento coletivo são como uma modernização das “vaquinhas”, em que várias pessoas doam dinheiro para viabilizar ideias

Em 2012, o time de futebol escocês Rangers estava no fundo do poço. Para não fechar as portas, ele usou uma plataforma on-line de crowdfunding e pediu para que torcedores e simpatizantes doassem quantias para o clube sair da lama. Três anos depois, o Clube de Regatas Vasco da Gama, do Rio de Janeiro, resolveu usar a mesma tática, mas com um propósito diferente. A entidade desejava resgatar sua equipe de basquete e angariar verba necessária para reformar o ginásio de São Januário.

Se o crowdfunding não existisse, talvez o Rangers não estivesse mais em campo (embora esteja jogando na segunda divisão de seu país) e o Vasco não conseguisse em uma semana atingir os R$ 185 mil necessários para fazer a nova quadra. Crowdfunding significa “financiamento coletivo”. Na realidade, nada mais é do que uma modernização das “vaquinhas”.

“São várias pequenas contribuições que, somadas fazem a diferença para financiar determinado projeto. Não é como um modelo arcaico que possui um único ou poucos detentores que decidem o que vai ser viabilizado ou não. É uma forma muito mais democrática de arrecadar recursos”, explica a CEO da Kickante, Tahiana D’Egmont. O crowdfunding é o único no Brasil que é usado para viabilizar tanto projetos privados como do terceiro setor.

Porém, as plataformas não são todas iguais. Existem as que trabalham com projetos sociais, outras que aceitam qualquer ideia e ainda há aquelas com causas definidas, como o Bicharia e seu foco em projetos envolvendo animais carentes. Sejam pessoas comuns ou famosas, os crowdfundings invadiram a internet e se tornaram uma alternativa para transformar um sonho em realidade. Descubra para quem e como funcionam os financiamentos coletivos e de que forma você pode entrar nessa onda.

Para quem?
O crowdfunding nasceu como uma alternativa para quem não conseguia viabilizar seu projeto com uma forma de financiamento tradicional. “Ele ocupa uma grande falha dos sistemas convencionais, pois oferece menos burocracia e risco quase zero, além de mais agilidade, independência do financiador e um potencial de financiamento ilimitado”, afirma o coordenador de comunicação do Catarse, Felipe Caruso. O site foi a primeira plataforma do Brasil e a primeira no mundo a oferecer código open source.

A rede também pode ser usada para engajar, divulgar, prototipar e pré-vender produtos ou serviços. Ou seja, dá para testar a relevância da sua ideia no mercado com pouco investimento. “Vale lembrar que a empresa deve propor um projeto que tenha um fim bem definido, independentemente do tipo de ideia que você esteja tentando viabilizar”, diz Caruso.

O uso do crowdfunding só não é indicado para um caso: criação de empresas. Isso porque toda pessoa que doou uma quantia pode ser considerada sócia do seu negócio. “Há vezes em que um projeto pode tornar necessária a abertura de uma empresa voltada para ele. Porém, a ideia inicial não é montar uma companhia, mas sim conseguir produzir algo bacana que gere impacto. Os resultados aparecem depois, naturalmente”, explica a coordenadora de projetos do Benfeitoria, Mariana Villaça. A plataforma, que não cobra taxas pelo serviço, foca em ideias que tragam algum tipo de benefício coletivo para a sociedade.

Como funciona
Para um projeto ser disponibilizado no crowdfunding, antes de tudo, ele deve ser de interesse coletivo. Ideias do tipo “financie minha vida”, como fazer uma viagem de férias, pagar contas atrasadas, comprar um celular novo, entre outros, não colam. Com um propósito coerente e definido, você deverá se comprometer com quatro itens obrigatórios. São eles: vídeo de campanha, descrição transparente, recompensas para colaboradores e meta financeira realista.

O pequeno filme serve para difundir a causa com mais facilidade pela internet, já a descrição é para quem quer saber os mínimos detalhes de seu projeto. As recompensas são pequenos agrados para os apoiadores. Elas podem ser uma experiência, uma coisa simbólica, um produto ou serviço, mas deve ser criativa e, de preferência, ter relação com sua campanha. Por fim, a meta realista. Não adianta pedir uma quantia exorbitante se você não vai usá-la ou pedir pouco e no final não conseguir realizar o projeto. Faça uma pesquisa e encontre o valor adequado.

Falando em meta, vale ressaltar que a maioria dos crowdfundings trabalha com a tática “Tudo ou Nada”. Na prática, o projeto tem uma meta mínima para ser alcançada e um prazo (entre um e três meses). Se a pessoa conseguir angariar a quantia, ela recebe o dinheiro das colaborações e os apoiadores ganham as recompensas. Caso contrário, o idealizador não recebe a arrecadação e a plataforma se encarrega de devolver o dinheiro para os colaboradores. “Sempre deixamos claro que, quando uma campanha passa dos 30%, ela já movimentou sua rede e, geralmente, alcançará os 100%”, afirma Ariel Tomaspolski, um dos fundadores do crowdfunding voltado para causas sociais Juntos.com.vc.

Invista
Após conseguir colocar seu projeto na rede, o primeiro passo é convencer seus parentes e amigos a doar e movimentar a arrecadação. Mesmo que eles apenas possam contribuir com o valor mínimo (geralmente, entre R$ 10 e R$ 30), é importante para mostrar que você convenceu os mais próximos e agora precisa da ajuda daqueles que estão longe para viabilizar a ideia.

Lembre-se também de que crowdfunding não é uma plataforma mágica. Ela precisa de dedicação e de um planejamento para dar certo. “Pense no pré, no durante e no pós da campanha. Um dos maiores erros no financiamento coletivo é achar que é só colocar o projeto no ar que o dinheiro aparecerá. Faça um cronograma. Pense em quais serão suas ações para aquisição de apoiadores em cada dia que o projeto está on-line”, afirma Caruso.

“Recomendo muito que não deixem para depois uma ideia inovadora, um projeto que está guardado ou a possibilidade de fazer uma mudança no mundo. O crowdfunding é extremamente democrático e, com dedicação, é possível ter resultados incríveis”, aconselha Tahiana. No final, quanto mais cuidado e engajamento você tiver com sua campanha, mais apoiadores serão conquistados e mais rápido sua meta será alcançada. Tudo o que você precisa é querer!

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