Startup

Elas já foram startups

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Saiba como Facebook, Google e Apple conseguiram se destacar em seus ramos e tornaram-se empresas bilionárias

Por Rodrigo Loureiro

Facebook, Google e Apple nasceram de forma modesta e começaram em “garagens” (as startups da época). Hoje, são referências mundiais no que fazem). De acordo com ranking da revista Forbes, a Apple é a 12ª companhia mais valiosa do mundo. Já o Facebook, conta com pouco menos de 1,5 bilhões de usuários ativos, quase metade da população mundial com acesso à internet (3,2 bilhões de pessoas, segundo a ONU). Por fim, no Google, são realizadas 40 mil buscas por segundo.

“Algumas startups conseguem vingar porque identificaram uma oportunidade para o negócio e souberam administrar suas estratégias e processos. Outras falham, em especial, por falta de preparo técnico e analítico”, explica o professor do curso de Administração de Empresas da Universidade Estácio de Sá, no Rio de Janeiro, Levi Souza.

O profissional explica que essas empresas têm sua competitividade apoiada nos elementos da tecnologia e da oportunidade de mercado. “Todas tiveram a visão de conciliar, e em alguns casos inovar, tecnologia com novas tendências de comportamento do consumidor. Assim, elas criaram novos mercados e geraram valor para estes”, analisa. A reportagem da Revista W conta as histórias por trás do sucesso de Apple, Facebook e Google, e mostra que, assim como elas, a sua empresa também pode chegar lá.

Facebook

D as três empresas desta reportagem, o Facebook é a mais nova. Ela nasceu apenas em 2004, tem pouco mais de onze anos de vida e já ultrapassou a marca 1,4 bilhões de usuários ativos. A rede social hoje comandada por Mark Zuckerberg é um dos maiores fenômenos empresariais da internet.
A maior rede social do mundo nasceu no dormitório estudantil de um segundoanista parcialmente bêbado de Harvard. A ideia de Mark Zuckerberg era criar um site que comparasse duas universitárias da prestigiosa uinstituição de ensino norte-americana e que possibilitasse ao restante dos estudantes o poder de escolher qual delas era a mais atraente. A página foi chamada de Facemash.

A partir daí, o projeto tornou-se mais ambicioso e deixou de ser apenas um site para comparações estéticas. Em janeiro de 2004, o thefacebook.com entrava no ar e em dezembro já contava com um milhão de usuários cadastrados. Vale lembrar que apenas em 2006 a rede social abriu acesso para que qualquer pessoa pudesse ingressar nela. Antes disso, o conteúdo era restrito para estudantes universitários de algumas universidades espalhadas no globo. Depois de deixar para trás o sistema “clubinho”, a rede social não parou mais de crescer: hoje, detém o WhatsApp e o Instagram, dois dos mais populares apps do mundo.

O ponto chave:

A principal lição que pode-se tirar da história da social network mais famosa do mundo é que é importante ter e cultivar contatos. O Facebook precisava de alguém que conhecesse o mundo dos negócios e esse alguém era Sean Parker – sim, aquele que criou o Napster, o primeiro serviço de transferência de músicas peer-to-peer (P2P) da internet. Nomeado como presidente do então The Facebook, ele foi o responsável por conseguir angariar o primeiro investimento real para a empresa que tinha apenas cinco meses. Isso aconteceu porque Parker procurou Reid Hoffman, então CEO do LinkedIn, que o apresentou para Peter Thiel, um empresário norte-americano que comprou 10,2% da empresa por US$ 500 mil. O dinheiro necessário para que o negócio pudesse ganhar novos rumos.

Google

O primeiro escritório do Google foi um quarto estudantil na universidade de Stanford, em 1996. Na época, o serviço criado pelos estudantes Larry Page e Sergey Brin chamava-se Back Rub (na tradução literal, “massagem nas costas”). A ideia era criar um método que ranqueasse os sites não pelo número de acessos que eles tinham, mas por sua importância de acordo com a quantidade de páginas que o mesmo dispunha e pela relevância que estas tinham com a home.

A principio, o site começou a funcionar nos servidores da universidade, até que em 1997 nascia o nome “Google!”. O nome refere-se a uma brincadeira com o termo matemático “googol”, usado para representar o número um seguido por cem zeros. De acordo com o site oficial da empresa, a escolha representava a missão dos criadores em “organizar uma aparentemente infinita coleção de informações da web”.

O primeiro investimento veio em 1998, em formato de cheque e assinado para uma empresa chamada Google Inc. que não existia oficialmente. O documento no valor de US$ 100 mil vinha de Andy von Bechtolsheim, co-fundador da Sun Microsystems, empresa que fabricava e vendia computadores e que fez grande sucesso nos anos 1980. O dinheiro só foi depositado um mês depois, quando Page e Brin abriram uma conta bancária no nome da então recém-criada empresa. O Google pode começar sua expansão. Saiu do dormitório, foi para uma garagem na Califórnia e depois para um escritório em que acomodava os oito funcionários que a empresa empregava em 1999. Cinco anos depois, muda-se para a Googleplex, a sede oficial que comporta hoje mais de 19 mil funcionários. Atualmente, ao todo são mais de 57 mil empregados em mais de 40 países onde a empresa têm escritórios, de acordo dados da própria companhia.

O ponto chave:

O momento que mudou o Google foi seu começo. Page e Brin não tentaram copiar ou aperfeiçoar algo que já existia. Eles capturaram uma necessidade: encontrar páginas na internet de forma mais fácil. E elaboraram a solução: criar um algoritmo que identifique e posicione os sites de acordo com a relevância deles para com os termos buscados.

Apple

Q uando se pensa em Apple, lembra-se de Steve Jobs. E não há nada de errado com isso. O homem foi um gênio de seu tempo e o responsável por conseguir fazer com que a companhia da maçã inventasse produtos que fossem tão bons quanto e ao mesmo tempo totalmente diferentes da concorrente Microsoft.

Para que essa história tivesse sucesso, ela precisou contar com outro Steve: Wozniak. Foi por causa dele que o primeiro computador da marca foi produzido. O Apple I era composto apenas por uma placa mãe (equipada com CPU, memória RAM e uma placa de circuitos internos) em 1976. Foi dele também a ideia de fazer com que motherboard se conectasse com teclado e televisão e que, juntas, formassem um único item: o computador pessoal. A ideia que até então era desacreditada e que viria se revelar bilionária nas próximas décadas recebeu o primeiro investimento do empresário Mike Markkula. A primeira oferta havia sido de US$ 90 mil, mas após negociação com Steve Jobs, a Apple obteve fundo monetário na casa dos US$ 250 mil.

Mesmo assim, após alguns anos a empresa passou por momentos delicados em suas finanças. O sucesso da concorrente Microsoft deixava companhia de fundada por Jobs preterida pelos consumidores. No entanto, a maré iria mudar. Bastava que a Apple utiliza-se do mesmo artificio com o qual nasceu: a inovação.

O ponto chave:

A história da “marca da maçã” tem dois momentos de destaque igualmente importantes e ambos estão ligados ao propósito da inovação. O primeiro foi quando a empresa apostou que os computadores seriam itens que fariam parte da vida de pessoas comuns e que cada uma delas iria ter ou desejar ter um equipamento pessoal em sua casa. O segundo aconteceu depois que Jobs voltou à companhia em 1997 (por uma decisão da banca de acionistas, ele havia sido expulso da própria empresa 1995). É verdade que a criação do sistema operacional iMac em 1998 salvou a empresa da falência e criou um novo método de usar os PCs, mas foi a aposta em ramos diversificados da informática como o setor telecomunicações e de eletrônica. Nascia assim o iPod, o iTunes, o iPhone e o iPad.

Dificuldades no brasil

Se você chegou até aqui, talvez questione o fato de que Google, Apple e Facebook nasceram nos Estados Unidos e questionar as dificuldade de abrir e gerir um negócio deste tipo no Brasil.

Segundo estudo realizado em 2014 pela Fundação Dom Cabral, que investiga os principais motivos pelas quais startups brasileiras têm suas atividades encerradas de forma precoce, cerca de 25% dessas empresas embrionárias no ramo da tecnologia morrem antes de completarem o primeiro ano de vida. E pior, a metade das que sobrevivem a essa provação inicial acabam falindo em até quatro anos.

De acordo com a análise, três fatores são vitais para entender porque o negócio torna-se tão frágil. O primeiro está relacionado ao número de sócios e de fundadores respectivamente: quanto maior for, maiores as chances de insucesso pela falta de compatibilidade de interesses objetivos em comum entre eles.

O segundo trata a respeito da questão monetária. Para os organizadores da pesquisa, empresas que contavam com verba suficiente para financiar o projeto pelo período de dois meses até um ano estavam mais suscetíveis a serem abandonadas do que companhias que podiam arcar com os custos operacionais durante menos de dois meses ou durante mais de um ano.

O terceiro passo para a falência é explicada na localização. Tudo bem que o Facebook e o Google surgiram em um dormitório e que muitas das operações de Steve Jobs e Steve Wozniak se deram em uma garagem na Califórnia. Se por um lado o espaço parece rústico, por outro ele possibilitou que os futuros bilionários pudessem economizar gastos. “Os negócios inseridos em incubadores, aceleradoras ou parques tecnológicos têm mais chances de sobreviver. Eles oferecem o tempo necessário para que as empresas alavanquem seus negócios sem ter os custos de um espaço próprio”, diz o coordenador do Núcleo de Inovação da Fundação Dom Cabral e responsável pela pesquisa, Carlos Arruda. Assim, economizar dinheiro nesta etapa pode ser vital para o sucesso da startup.

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