Entrevistas Startup

Entrevista: doações com um clique

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Renata Chemin, da O Polen, conta como uma extensão permite a consumidores destinem parte do valor de suas compras online a ONGs sem pagar a mais por isso

Foto 2 perfil Renata Chermin

Renata Chemin, uma das criadoras da startup O Pólen

A startup O Polen permite que consumidores destinem o valor de parte de suas compras em e-commerces a ONGs. Após encerrar a operação, por meio de um aplicativo instalado em navegadores Google Chrome, a pessoa informa que desejaria que aquela loja virtual contribuísse com determinada quantia a uma instituição beneficente. E isso é feito, sem que o cliente gaste um centavo a mais pelo que desembolsou no produto.

Criada pelos empreendedores Fernando Ott e Renata Chemin, a O Polen tem como meta incentivar formas alternativas para angariar fundos a projetos sociais. Focada em ajudar o terceiro setor, eles pretendem fazer com que as ONGs dediquem seu tempo às suas causas, enquanto a startup dá uma mão na arrecadação de recursos.

A O Polen conta com 40 ONGs e mais de 100 lojas virtuais cadastradas. Em entrevista à Revista W, Renata conta a história da startup e revela a mágica que garante a ONGs receber dinheiro de e-commerces via Chrome.

Revista W: Quais são as inspirações da O Polen?

Renata Chemin: Nossa missão é provocar mudanças. Tanto na maneira em que as ações comerciais são feitas, quanto na forma em que ONGs e instituições captam recursos. Nós acreditamos na evolução desse modelo e vislumbramos um mundo no qual toda compra ou transação pode resultar em um bem para a sociedade.

W: Por que o nome “O Polen”?

RC: Na natureza, tudo acontece em conjunto. A polinização só acontece porque diversos insetos e elementos trabalham juntos, e é nisso que a gente acredita. A verdadeira mudança e o impacto social só acontecem se unirmos vários setores da sociedade com esse mesmo objetivo. Queremos espalhar coisas legais por aí, polinizando o mundo com boas ações.

W: Como surgiu a startup?

RC: O Fernando sempre foi empreendedor. Depois de trabalhar por muito tempo com e-commerce, ele percebeu a necessidade de trabalhos com responsabilidade social por parte das lojas virtuais. Ao mesmo tempo, por meio do contato que tinha com o terceiro setor, percebia que ONGs tinham grande dificuldade em arrecadar recursos.
Com isso na cabeça surgiu a primeira ideia de startup: o PagSocial. Era um meio de pagamento que dividia sua taxa com as ONGs, uma espécie de PagSeguro, mas social. No entanto, a iniciativa foi impedida por um marco regulatório governamental que nos obrigou a revolucionar o negócio. Após conversarmos com os mentores das aceleradoras, em menos de dois dias tínhamos um novo projeto. Daí nasceu O Polen, ideia que nos inspira todos os dias com histórias das organizações que ajudamos e das pessoas que encontraram uma maneira de ajudar. É isso o que nos leva para cada vez mais perto do nosso grande objetivo.

W: Como são feitas as doações?

RC: Depois de instalar o aplicativo no Google Chrome, toda vez que esse consumidor comprar em uma das nossas lojas parceiras, uma janela da O Polen aparecerá na tela. Basta clicar em “Escolha Ajudar”, aguardar a confirmação e pronto. Ao fim do processo, um percentual da compra será destinado à instituição selecionada. A doação feita pelo usuário acontece a partir da comissão que cada loja gera quando ele finaliza uma compra. Assim nenhuma das partes gasta nada a mais por isso.

W: Como são geradas essas comissões que são doadas para as ONGs?

RC: Ele: O usuário não gasta mais para fazer a doação porque esse percentual destinado à ONG vindo da compra feita no e-commerce já está acordado entre a loja virtual e O Polen. Em resumo, parte do valor pago pelo produto é revertido em doação.

W: Foi difícil tirar o projeto do papel e conquistar a confiança do usuário?

RC: Seria mentira se dissesse que foi fácil. Tivemos que abrir mão de bastante coisa para conseguir desenvolver o negócio e chegar nesse ponto de crescimento. E temos consciência de que não estamos nem na metade ainda. Depois de adaptarmos o modelo de negócio para chegar até a O Polen, o desenvolvimento do produto fluiu muito mais, mas é sempre um desafio. No início tivemos resistência por parte dos usuários, pois era difícil de acreditar que uma ferramenta tão simples fosse mesmo verdadeira, mas hoje já superamos isso com 750 usuários e a aprovação de 90% deles.

W: Quais foram as atitudes da O Polen para que o público confiasse na startup?

RC: Transparência, sempre. Tanto com o público quanto com ONGs e empresas. Quando se trabalha com impacto social, é muito importante que os “pingos nos is” estejam bem colocados. Em nossa ferramenta o usuário pode ver exatamente quanto de cada compra foi doado, se já foi confirmada a doação, quando foi e as ONGs também tem total controle de tudo isso. Através de nossas redes sociais e newsletters os usuários ficam sabendo das iniciativas das ONGs e qual o impacto de suas doações. Dessa maneira, todos entendem exatamente o que está sendo feito e o porquê de cada atitude que tomamos. E temos orgulho em dizer que nossos usuários estão cada vez mais engajados, perguntando sobre suas doações, querendo saber mais das ONGs, o que só nos prova que a confiança em nós é real e aumenta a cada dia.

W: Hoje a O Polen tem parceria com grandes empresas, como Submarino, Nike e Lenovo. Como foi a abordagem com essas marcas?

RC: Extremamente positiva, o que nos deixou surpresos e felizes. Cada vez mais empresas tem consciência de seu papel na sociedade e da demanda de responsabilidade social que vem crescendo no consumidor. E ao saber da oportunidade de ajudar ao próximo atrelando suas imagens a causas sociais, querem muito participar.

W: E como as ONGs veem a iniciativa?

RC: Com a nossa experiência no terceiro setor, víamos que as ONGs perdiam muito tempo captando recursos ao invés de se dedicarem às suas causas. É por isso que hoje essas instituições nos enxergam como um grande parceiro e facilitador. Porque além de sermos um meio simples de captação de recursos, ainda temos um relacionamento muito próximo para apoia-las na comunicação, facilitar contatos, parcerias.

W: Como as ONGs e empresas podem se cadastrar?

RC: É tudo bem simples. Para se cadastrar é necessário que as ONGs solicitem a parceria por e-mail (eupolinizo@opolen.com.br) e realizem um cadastro enviado pela curadoria O Polen. Nesse documento, algumas informações como Certificado da OSCIP, Cartão de CNPJ e certidões negativas estadual e federal da instituição e criminais dos sócios são essenciais para a conclusão do processo de aprovação. Depois de aprovada, a nossa equipe começa o trabalho de comunicação diretamente com a ONG. Para as empresas, o processo começa da mesma forma e depois entramos em contato para negociar.

W: O que é o “Mundo Beelieve”?

RC: O Mundo Beelieve é uma feliz surpresa que tivemos com o tempo. Por uma coincidência, conhecemos o Fernando Correa e o Nathan Gonzalez. Eles tinham o projeto de um blog com ilustrações incríveis sobre polinizar o mundo com coisas boas, o que tem absolutamente tudo a ver com a nossa ferramenta. Na época, já buscávamos uma renovação em nossa identidade visual, e então iniciamos essa incrível parceria. Hoje, o Mundo Beelieve é a página oficial de conteúdo do Polen, além e ter nos presenteado com a Liebee Herói, nossa mascote.

W: Qual a importância da tecnologia para que a startup cumpra sua função?

RC: A tecnologia abre possibilidades para que as pessoas estejam cada vez mais conectadas. Ela permite a união de muitos em prol de um bem maior. O Polen fez uso desse propósito para propor aos e-commerces, usuários e ONGs uma nova maneira de praticar boas ações no dia a dia. Além disso, por meio dela conseguimos manter o usuário sempre ciente da sua doação, fazer com que ele conheça os projetos da ONG que apoia, aproximar pessoas de organizações, criar consciência social e uma cultura de doação que não existe no país hoje.

W: Você acredita que a tecnologia pode ser grande aliada em ações de caridade?

RC: Sem a menor dúvida. Não só aliada como o futuro dessas ações. Cada vez mais a tecnologia permeia a vida das pessoas. Elas não deixaram de ter vontade de ajudar o próximo, mas ainda faltam maneiras de auxiliar esse processo. É preciso adaptar essa vontade ao mundo como ele é hoje: cada vez mais dinâmico.

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