Opinião

Fazer o layout é só 10% do trabalho

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Especialista em User Experience fala sobre as boas práticas que vão muito além do design de uma página e podem fazer toda a diferença para projetos digitais

Por Fabrício Teixeira

Arquivo, Novo, 1600px de largura, 72 dpi. Tela branca a postos. A mais nova obra de arte está para nascer. Alinhamentos impecáveis, tipografia escolhida a dedo, pixels brilhando na tela do Mac. Estamos em 2013 e ainda tem designers digitais por aí que tratam sua obra como um pintor renascentista tratava seu óleo sobre tela. O resultado final é uma obra de arte, um pôster, digno de imprimir e pendurar na parede da sala ou do portfolio.

Ainda me surpreendo quando vejo times de Design gastando a maior parte das horas de um projeto montando layouts no Photoshop. O layout é só 10% do trabalho. É claro que essa etapa tem um valor importante para o projeto, que é definir a direção de arte do produto e a visão sobre a estética do mesmo. Mas interfaces são inerentemente interativas, e não estáticas. E elas só ganham vida a partir do momento em que passam a responder aos comandos dos usuários.

Por que você está começando a desenhar a tela nessa resolução se a maior parte das pessoas vai acessar o site pelo celular? Como essa interface se comporta em diferentes resoluções de tela? Como funciona a interação? Quais elementos ficam fixos quando o usuário desce a rolagem da tela? Quando eles ficam fixos, qual aspecto eles assumem e quais informações são mostradas? E se essa lista que você desenhou com dez itens tiver zero itens? E se tiver apenas um? E se tiver duzentos e quarenta e três? E esse contraste, você já testou em um monitor de gente normal? E se o usuário virar o celular, como você pretende usar o espaço extra de forma inteligente? Você pretende usar paginação ou scroll infinito? Ah é? Por que? E quando o site for traduzido para outro idioma, como o nome do botão vai caber dentro desse espaço?

Estamos em 2013. Estamos desenhando interações, não apenas interfaces. Estamos trabalhando longas horas por dia para definir como a interface se comporta, e não somente sua aparência. Chega de aplausos quando o psd vira jpg. 90% do trabalho ainda está por vir. Ninguém navega em um layout. Os sites de 2013 são verdadeiros sistemas de design – mas quando o Visual Designer não pensa dessa forma, ele acaba criando layouts estáticos e depois adicionando remendos sobre ele para acomodar as interações necessárias. E isso não funciona mais, infelizmente.

Esses dias li um excelente artigo que fala sobre a Dribbblização do design e sobre como existe uma comunidade inteira de designers no Dribbble aplaudindo o jpg alheio e torcendo para que o design digital seja somente aquilo, uma disciplina rasa.

Design é uma equação extenuante entre requisitos de negócios, necessidades dos usuários e boas práticas visuais, e não somente o terceiro. Então não pense que alguém vai conseguir julgar o seu trabalho através de wireframes ou layouts estáticos. E não pense que dá para continuar aplaudindo o jpg dos outros, porque jpg não resolve problemas. Para os sites de 2013, muito pelo contrário.

Fabrício Teixeira é curador do Blog de AI, Experience Designer na R/GA New York, Updater no Update or Die e Professor de User Experience na Miami Ad School. Atua há 9 anos como UX Designer em agências digitais como AgênciaClick, Crispin Porter + Bogusky e R/GA – tanto no Brasil quanto nos EUA.

*Artigo publicado originalmente no iMasters (Todos os direitos reservados). Acesse o post aqui (toda e qualquer reprodução deve citar a fonte orginal).

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