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Growth Hacker: a nova profissão do Vale do Silício

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Há 20 anos, o Hotmail aparecia no mercado e conquistava clientes rapidamente. Todo e-mail enviado por um usuário da plataforma possuía em seu rodapé a mensagem: “Ganhe uma conta gratuita no Hotmail”. Recentemente, o Dropbox utilizou técnicas parecidas. Para conquistar consumidores, ele oferecia um espaço extra dentro da ferramenta para os usuários que indicassem seus amigos. Ambas as empresas aplicaram estratégias de growth hacking para ter uma rápida taxa de crescimento em um curto período e pelo menor custo possível.

O termo “growth hacking” apareceu em 2010, quando o empreendedor norte-americano Sean Ellis publicou um anúncio procurando por “growth hackers”. Na sequência, o Vale do Silício – famoso polo tecnológico nos Estados Unidos – resolveu adotar a nomenclatura para designar a profissão. Entretanto, os growth hackers já existem há muito tempo. “Ellis foi o cara que cunhou o termo, não o comportamento. Ele apenas nomeou algo que já ocorria dentro das startups”, explica o fundador da Excited, Enrico Cardoso, que trabalha principalmente com pequenas empresas e startups, mas conta também com grandes players, como o site Omelete.

O que você precisa saber é que, apesar de ainda não se falar muito em growth hacker, a profissão está se tornando cada vez mais conhecida no universo tecnológico. Por isso, descubra qual é o perfil desses gênios que se dividem entre o mundo do desenvolvimento e o do marketing e veja se você também pode se tornar um profissional da área.

O perfil
Resumidamente, o growth hacker é o profissional que usa técnicas alternativas para fazer uma empresa crescer. Ele tem conhecimento em internet, startups, marketing, programação, desenvolvimento e outras áreas. “A formação dessa pessoa foge da que estamos acostumados a buscar”, diz Cardoso. “Muitas vezes ele aprendeu código sozinho e lê sobre marketing na internet. Na cabeça das empresas, ele não possui a qualificação necessária para trabalhar em área de crescimento, mas é justamente essa característica fora dos padrões que o torna um growth hacker.”

Nerd, tímido e concentrado em seu trabalho, o growth hacker não é a pessoa mais popular dentro de uma corporação. Ele está mais para aquele cara que vive fechado em seu mundinho. “É um profissional que está sempre tentando encontrar uma maneira de vender um produto e melhorar a estratégia da empresa com o menor custo possível”, explica Cardoso. “A ideia sempre é crescer mais gastando menos e, muitas vezes, estamos falando de startups, que contam com pouca verba.”

Pode-se dizer que quem ocupa esse cargo está à frente de seu tempo. Geralmente, é uma única pessoa que comanda o setor, e não uma equipe. Seu objetivo é encontrar métodos diferentes dos que os concorrentes estão acostumados a usar. Assim que a metodologia se torna trivial no meio, o growth hacker abandona o projeto e parte para descobrir novas táticas ainda desconhecidas no mercado.

Ele também é responsável por fazer muitos testes, pois é por meio deles que será possível aplicar as estratégias. Por isso, quem ocupa essa posição deve ser muito disciplinado. “O growth hacker deve fazer experimentos controlados para que, caso cometa erros, eles não sejam muito grandes”, afirma Nei Grando, consultor de negócios e TI. “Só há um jeito de experimentar ideias: fazendo tentativas e erros. Não dá para exigir de um profissional que ele acerte sempre nas suas experiências.”

O cenário
“No Brasil, poucas pessoas sabem o que é growth hacker. Ainda não há um mercado amplo”, diz André Bartholomeu Fernandes, criador do blog The Growth Hacker, dedicado a marketing digital. “Porém, às vezes, a empresa pode não dar esse nome ao profissional, mas conta com alguém que faça esse tipo de trabalho dentro da organização.”

Em contraponto, no Vale do Silício a profissão já está se tornando uma necessidade. Isso porque no polo há uma forte cultura de querer mudar o mercado e encontrar respostas novas que ninguém encontrou ainda. “Lá, as pessoas encaram o growth hacker como uma maneira certa de pensar e desenvolver produtos”, afirma Cardoso. “O cargo começa a ser cobiçado por empresas que entendem a realidade atual, em que precisamos utilizar nosso investimento para crescer de maneira enxuta. Caso contrário, não é possível gerar tanta renda e ter lucratividade.”

Aos poucos, a filosofia está chegando ao País e conquistando seu espaço. No futuro – talvez não tão distante –, as empresas passem a disputar os growth hackers nacionais. “Esse tipo de profissional ainda não é requerido para a nossa realidade brasileira, mas ele vai se tornar, com certeza”, afirma Grando.

Então, se você quiser seguir a carreira, esta é a hora certa para investir. Apesar de ainda não ser uma profissão oficial, tudo indica que logo ela será uma das mais requisitadas. Para estar pronto quando o mercado se consolidar, leia muito e tenha boas referências sobre o assunto. Veja o que está funcionando lá fora e, principalmente, confira as referências do universo do Vale do Silício. “Essa é uma forma de se aproximar e entender o que está acontecendo neste mundo. Assim, você pode ver o que precisa estudar mais a fundo para se tornar fera na profissão”, aconselha Grando.

Outro conselho é basear-se em uma frase conhecida de Steve Jobs, fundador da Apple, e lembrada por Cardoso: “Melhor ser pirata do que marinheiro”. E o fundador da Excited explica. “É melhor você ser uma pessoa que desbrava o mundo e busca novidades do que aquela que segue tudo certinho e não encontra nada novo pela frente”.

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