Opinião

High “Low” Tech

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É incrível como as novas tecnologias surgem rapidamente e ficam obsoletas na mesma velocidade

Por Samuel Mucin*

As inovações tecnológicas não tiram férias. Independentemente do período do ano, surgem novos equipamentos, acessórios ou apetrechos que se tornam milagrosamente essenciais da noite para o dia. A tecnologia não para, e enquanto estamos curtindo os dispositivos da moda, desenvolvedores já estão preparando novidades. Logo, os produtos de última geração mais uma vez serão ultrapassados e obsoletos em um piscar de olhos. É assim, descartável, esse mundo tecnológico.

Muitas pessoas – e me incluo nessa – já sonham em ter um smartphone com tela flexível, um relógio inteligente (os smartwatchs) e até mesmo um exemplar do Google Glass, óculos de realidade aumentada que até então somente alguns seletos felizardos possuem. Tudo promessa de 2013 que ficou para 2014. Mas será que é agora a hora de finalmente acessarmos essas inovações “futuristas”?

A resposta ainda é não. Teremos, sim, exemplares de relógios inteligentes e já existem empresas lançando óculos de realidade aumentada para concorrer com o Glass. Ao que parece, a tecnologia invadiu o guarda-roupa e virou acessório. Só não se sabe se “a moda pega”.

Mas esse novo dispositivo que deixou as horas de lado precisa se conectar com um smartphone para funcionar. Fazem tudo através do celular e de apps instalados em ambos e não tem “vida própria”. E quando falávamos de relógios inteligentes imaginamos um dispositivo multiuso poderosíssimo, algo mais ao estilo de agentes secretos. Que decepção!

Talvez as soluções para isso estejam perto, como recursos de cloud ou a tão falada Internet das Coisas, que poderiam transformar não só relógios, mas diversos dispositivos em semirobôs independentes. Esse dia ainda vai chegar, com toda certeza, mas não será em breve.

No caso das novíssimas telas flexíveis, as funcionalidades de aparelhos do tipo ainda não compensam a troca. Quem sabe quando aparecerem os smartphones finos, dobráveis, que podem fechar e se acomodar em uma carteira?

Já o Google Glass, mesmo como uma das grandes apostas, causa estranheza com as possibilidades de tarefa que o óculos promete. Há coisas do futuro que mais parecem obra de bruxaria! Ainda em pleno século 21.

Bom, antes que você jogue fora seu celular recém-comprado ou o ultrabook que ganhou recentemente, vale lembrar que é praticamente impossível acompanhar em tempo real o avanço tecnológico. Nem adianta tentar. Aceite o fato de que já temos smartphones mais robustos, novas versões de SOs, novos videogames que já estão se renovando desde o momento do lançamento. A tecnologia envelhece rápido justamente para causar essa ansiedade no público consumidor. Apenas sente e aprecie o ano e todas as grandes novidades que podem aparecer. Seu novo smartphone pode esperar.

*Samuel de Paiva Mucin é um viciado em Star Wars, fundador e curador do Plantão Nerd (www.plantaonerd.com), onde comenta os principais assuntos da cultura nerd e geek. @PlantaoNerd

Texto publicado originalmente na edição 162 da Revista W (Todos os direitos reservados). Qualquer reprodução deve citar a fonte.

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