Entrevistas

Kickante: capital dividido democraticamente

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Tahiana D´Egmont, CEO da plataforma de crowdfunding, conta como alavancar projetos por meio de financiamento coletivo no Brasil

A plataforma Kickante é uma das referências quando o assunto é financiamento coletivo de projetos. Tahiana D’Egmont, a CEO da empresa, defende que o crowdfunding vai além lado monetário – é uma visão democrática de negócios. Formada em publicidade e propaganda, Tahiana começou a trabalhar com internet aos 15 anos e, até chegar ao Kickante, fundou a Mentez e criou marcas como Tutudo, Mimpit e UniPay. Nesta entrevista, ela fala sobre como funciona o mercado de financiamento coletivo e como ele pode realizar o sonho de qualquer pessoa.

Revista W: O que é o Kickante?
Tahiana D’Egmont: O Kickante entrou no mercado em outubro de 2013. Ele foi fundado por Candice Pascoal e seu irmão, Diogo Pascal. O objetivo era criar uma plataforma de arrecadação digital na qual os brasileiros pudessem de fato ter acesso a capital de forma democrática, tirando seus projetos do papel com todo o apoio necessário. Para isso, foi necessário utilizar técnicas avançadas de arrecadação de fundos, que seguem os modelos internacionais. É uma plataforma brasileira que traz a tecnologia norte-americana e as técnicas internacionais mais avançadas de arrecadação de recursos.

Revista W: De onde surgiu a ideia para montar a empresa?
Tahiana D’Egmont: A Candice trabalhava na indústria da música e viu de perto as mudanças de mercado e a queda das empresas da área. Um dos motivos de isso acontecer foi porque não sabiam lidar com o mundo digital. Ela também trabalhou fazendo arrecadação de fundos para as maiores ONGs do mundo e viu que tudo era feito com um custo enorme. Em determinado momento, ela conheceu o mercado de crowdfunding e viu que ainda não estava muito desenvolvido no Brasil. Acreditando nessa evolução e no crescimento da área, ela enxergou no crowdfunding potencial para democratizar financiamentos a ajudar empreendedores a tirar projetos do papel. Foi assim que ela idealizou o projeto de criar uma plataforma completa de arrecadação digital.

Revista W: Como o Kickante define crowdfunding?
Tahiana D’Egmont: É o financiamento gerado por uma multidão. O conceito é de que são várias pequenas contribuições que, quando somadas, fazem a diferença para bancar determinado projeto, em vez de haver um único, ou poucos, detentores sobre o que vai ser financiado. Por isso, acreditamos que é uma forma muito mais democrática de arrecadar recursos.

Revista W: Como é a aceitação desse serviço no Brasil?
Tahiana D’Egmont: Acreditamos que assim como no resto do mundo o crowdfunding está só no começo. Num país como o Brasil, apostamos imensamente no papel do crowdfunding como veículo de realização de projetos. O medo de ter uma campanha que não arrecade nada é um fator cultural no Brasil. Falta conhecimento sobre o que é crowdfunding. Aqui as pessoas têm vergonha de pedir dinheiro, enquanto em outros países elas já estão acostumadas e o serviço já é o braço direito de captação de recursos de vários projetos. Esse mercado movimentou US$ 5,16 bilhões em 2013 no mundo. A previsão é de que ele movimente de US$ 90 bilhões a US$ 96 bilhões até 2025.

Revista W: Qual foi o projeto de maior sucesso no Kickante?
Tahiana D’Egmont: No final de 2014, batemos o recorde de arrecadação em uma plataforma de crowdfunding no Brasil. Conseguimos isso com a campanha para o tour de palestras da empreendedora Bel Pesce. O valor ultrapassou R$ 880 mil, contando com cerca de 4 mil colaboradores.

Revista W: Qual é a melhor forma de empreendedores participarem?
Tahiana D’Egmont: Você precisa definir o escopo do projeto. Pensar qual é o valor mínimo para tirar sua ideia do papel. Planejar como divulgar e se comunicar. Pode ser por meio de textos, fotos ou até vídeos explicativos. Além disso, é preciso pensar em oferecer recompensas para quem contribui com seu projeto. Essas recompensas atraem muitos colaboradores, então é importante ser criativo. Normalmente, o produto final é disponibilizado antes do lançamento, com exclusividade para quem colaborou. É importante lembrar-se de embutir o custo de produção e distribuição das recompensas, bem como a taxa de administração da plataforma, no valor que deve ser arrecadado.

Revista W: O financiamento coletivo pode ser usado para montar uma empresa ou só para emplacar produtos?
Tahiana D’Egmont: É muito interessante utilizar o crowdfunding como forma de financiar uma empresa. Isso porque, ao lançar uma campanha e torná-la um sucesso, o empreendedor já passa por diversas etapas de que ele precisa para que a empresa dê certo de qualquer forma, como identificar um público, fazer o marketing da campanha, convencer pessoas sobre o potencial daquele produto ou serviço, criar um budget de quanto o projeto vai custar, e assim por diante. Com toda certeza, lançar uma empresa com crowdfunding ajuda a testar uma série de hipóteses e aumenta em muito o potencial de sucesso dela mais à frente.

Revista W: O Kickante aceita todos os tipos de ideia ou vocês têm uma política que impede determinados projetos?
Tahiana D’Egmont: Sim, somos extremamente democráticos quanto à natureza dos projetos e não restringimos muito as categorias. Nosso objetivo é justamente democratizar o acesso ao capital. Entretanto, alguns termos de uso devem ser respeitados.

Revista W: O que acontece quando um projeto arrecada dinheiro, mas não atinge a meta?
Tahiana D’Egmont: Nós trabalhamos com duas modalidades de captação. Uma delas é chamada Flexível e a outra Tudo ou Nada. Na primeira o projeto vai ocorrer independentemente do valor arrecadado. Nesse caso, o criador da campanha recebe o valor mesmo que não atinja a meta mínima estipulada. Já na Tudo ou Nada, o projeto depende 100% da meta mínima para ser viabilizado. Então, se ela não for atingida, o valor é devolvido a cada participante por meio da plataforma de pagamento utilizada para a transação.

Revista W: Quais são as dicas para quem quer participar de um financiamento coletivo e precisa divulgar um produto?
Tahiana D’Egmont: No nosso site, temos uma área inteira dedicada às dicas. Ela fica localizada na opção “Aprenda” do menu principal. Recomendo muito que não deixem para depois uma ideia inovadora, um projeto que está guardado ou a possibilidade de fazer uma mudança no mundo. É possível ter resultados incríveis.

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