E-commerce

Monte seu e-commerce com qualidade e sem gastar muito

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Há no mercado diversas soluções prontas para que o pequeno e o médio empreendedor possam colocar no ar seu e-commerce gastando pouco. Entre elas, destacam-se plataformas de gestão de dados e de estoque, aluguel da loja virtual em si e ferramentas de marketing.

Para avaliar o que há de bom e barato para quem deseja montar seu negócio virtual, a Revista W conversou com alguns especialistas em e-commerce. Eles apontaram o caminho das pedras para quem quer montar seu negócio desembolsando o mínimo possível.

Lojas virtuais alugadas
Alugar uma loja virtual pode ser uma boa opção para quem está começando ou já tem um pequeno e-commerce. O serviço permite criar um site padronizado sem a necessidade de muito dinheiro. O usuário aluga um espaço em um provedor específico de lojas virtuais, deixando de lado os custos de desenvolvimento.

Segundo André Gugliotti, da Gugliotti Consulting, uma das maiores vantagens de montar uma loja desse tipo é o fato de não precisar de suporte técnico dedicado. Gugliotti é especialista em Magento, certificado pela The eCommerce Academy, de Paris, na França.

As equipes de TI podem gerar gastos que ainda não cabem no bolso do pequeno empresário. Gugliotti conta que o custo total do serviço varia em torno de R$ 150 mensais. “A economia gerada pela ausência de um investimento inicial é a saída ideal para empresas nascentes, resultando em mais dinheiro em caixa para investir em marketing e ganhar força no mercado”, explica. O recurso também é uma opção válida para quem ainda não é muito familiarizado com a área. “Como a plataforma está pronta, a quantidade de decisões é muito menor do que ao desenvolver uma loja própria, e isso é ótimo para quem tem pouca experiência”, conta Gugliotti.

“Os fatores principais de um e-commerce são: catálogo de produtos, descrições, valores, imagens e estoque”, diz o consultor. Ele explica também que o cliente deve poder navegar pelas páginas, fazer seu cadastro, informar um endereço, monitorar seus pedidos, escolher um método de entrega e uma forma de pagamento. O sistema de lojas virtuais alugadas proporciona todas essas funções.

O consultor ressalta a importância de escolher o fornecedor com cuidado. “O software é fechado, você não tem acesso aos arquivos e depende de uma empresa que pode não estar disposta a colaborar”, explica. Se o site não tiver todas as funções de que o usuário precisa e o fornecedor não der margem para negociar, é possível terminar a situação sob pena de ter que refazer a loja.

Para fazer uma loja virtual alugada o empreendedor precisa se cadastrar em um provedor. A partir disso ele recebe acesso ao sistema. Apesar de já oferecer funções próprias de um e-commerce, é preciso que o lojista trabalhe na preparação de conteúdo. “É necessário configurar a loja com seus detalhes e cadastrar as categorias e os produtos”, conta Gugliotti.

Apesar das facilidades, o planejamento não pode ficar de lado. Normalmente, as lojas virtuais alugadas são colocadas no ar em menos de uma semana. Mas ter um site não significa poder utilizá-lo. É necessário estruturar as informações institucionais, as imagens e todo o conteúdo da página. Recomenda-se estar com tudo isso pronto antes de começar o projeto. “Se não estiver com isso na mão, passará meses e você não terá nada no ar e estará perdendo o dinheiro do aluguel”, conta Gugliotti.

Blogs
Quem acha que blog é só hobby está enganado. Apesar de serem famosos pela maneira independente como cada autor escreve quando e como quer, os diários virtuais também podem ser usados como um canal de comunicação importante e eficaz. O conteúdo divulgado neles pode servir para criar uma conexão entre uma marca e o cliente.

Usar o blog como um recurso de marketing digital é uma ótima opção para novos investidores que ainda não contam com muita verba disponível para propaganda. Apesar de ser gratuito, o lojista deve arcar com alguns custos para conseguir manter uma plataforma bacana no ar. “Além de criar uma página adequada ao perfil do usuário, em termos de navegabilidade, dinâmica e design, é preciso também criar conteúdos relevantes, por meio de um trabalho jornalístico de pesquisa e produção”, afirma Rodrigo Neves, CEO da VitaminaWeb – a agência de internet conta com clientes como CBF, McDonald’s e Porto Seguro.

Os blogs são boas opções para aumentar o tráfego de pessoas e divulgar o nome de uma empresa por meio de conteúdos. As postagens devem ser sempre relacionadas ao interesse do público-alvo da loja. “Esses materiais serão indexados nos resultados de busca de ferramentas como Google e Bing, por exemplo”, explica Neves. Ele também afirma que um conteúdo bem escrito traz pessoas à página, e consequentemente reflete em mais acessos ao site do e-commerce.

“Os blogs têm cada vez mais trazido relevância em vez de propaganda, tornando-se uma sutil ferramenta de comunicar sem invadir”, afirma Nicole Barros, diretora da NB Press, que tem cursos de business intelligence e marketing organizacional. “Essa atitude acaba gerando algumas vendas espontâneas.”

O conteúdo da página deve trazer informações úteis ao leitor. Nicole recomenda que os posts sejam feitos em formato de reportagem, artigo ou dica. Ela também ressalta que é importante manter uma relação com o core business da loja virtual. Outro fator para obter sucesso é lembrar-se de manter o blog atualizado, afinal ele não vai atrair leitores se não apresentar conteúdo novo. “É preciso criar uma periodicidade e respeitá-la. A quantidade de posts pode variar de acordo com o tema abordado”, explica Nicole.

ERP
Independentemente do tamanho ou do segmento de uma loja virtual, algumas tarefas são obrigatórias. Querendo ou não, elas tomam tempo e algumas vezes exigem que o empreendedor contrate uma pessoa especializada para executar determinadas funções. O sistema ERP é uma boa forma de baratear e facilitar os processos de gestão empresarial.

O enterprise resource planning (ERP) é o método que armazena informações importantes para o funcionamento de uma empresa. Ele é responsável pela organização automática de dados de clientes, CPF e CNPJ, endereços, contatos, documentos fiscais e outras referências relevantes.

“Com um sistema de gestão, os registros acontecem de forma transparente dentro do processo. Enquanto os dados do cliente e da venda são cadastrados, você já está gerando informações para o fisco e relatórios gerenciais”, explica o professor Antônio Nodari, diretor da empresa Bling, especializada em serviços de gestão on-line. A companhia tem clientes como Ágil Informática e Loja Básico.

Para ele, a padronização de processos e códigos é outra vantagem, já que todos na empresa irão falar a mesma língua e saberão como proceder em cada situação. “O atendimento ao cliente fica mais ágil, as compras são realizadas sem excesso nem falta, os pagamentos são feitos em dia e sem erros”, completa.

Nodari acredita que o ERP pode oferecer oportunidades construtivas para os novos empreendedores que ainda não contam com muita experiência. “O sistema agrega o conhecimento das melhores práticas, processos e fórmulas de cálculos. Portanto, ao usar, o empresário certamente vai cortar etapas e evitar erros comuns no início”, conta o diretor. A redução de custos também é um fator essencial para quem está começando agora. Segundo ele, os processos automatizados necessitam de menos mão de obra, reduzindo despesas e permitindo que o empresário pense mais no desenvolvimento do negócio.

Os valores do serviço variam conforme a demanda de cada loja virtual. O segmento do e-commerce também pode influenciar no preço do pacote. “Empresas prestadoras de serviço precisam de ordem de serviço e nota eletrônica de serviço, já as lojas de produtos não têm necessidade disso e não precisam habilitar esses módulos em sua conta”, afirma Nodari. O pequeno empresário pode optar por planos mais enxutos, que estão disponíveis a partir de R$ 50 e podem ser testados por 30 dias.

Dropshipping
Grande parte dos empreendedores que estão começando não conta com espaço suficiente nem verba para manter um estoque. Dropshipping é uma técnica que pode resolver esse problema. O modelo de negócios coloca o vendedor como intermediário, oferecendo produtos fabricados por outra empresa.

O processo começa quando o comerciante (chamado dropshipper) oferece produtos fabricados por um fornecedor, que normalmente é estrangeiro. Assim que um cliente compra um item, o dropshipper entra em contato com o fabricante e faz a encomenda. A mercadoria é enviada diretamente para o endereço do comprador, isentando o empreendedor de qualquer necessidade de manter um depósito para estoque.

O modelo é muito adotado por empresários que estão iniciando suas atividades no mundo virtual. Ele pode ser
usado tanto em e-commerces quanto em marketplaces, como o MercadoLivre. “A principal vantagem é que ele elimina investimento para iniciar o negócio, diminui custos e trabalho, deixando assim, o empreendedor focado em outras tarefas”, conta Marcel Ferreira, mestre e especialista em comércio eletrônico formado pela Universidade Aberta de Lisboa. Atualmente, ele é diretor de marketing e planejamento da Agência Barbearia de Ideias e Comunicação.

O sistema é vantajoso por um lado, mas por outro pode trazer riscos à credibilidade de um e-commerce. Lidar com importações pode ser algo complicado. “A principal barreira é a taxa de importação alfandegária. Como medida de protecionismo do nosso País (e de qualquer outro país), a taxa de importação visa tornar o produto caro demais para ser importado, estimulando o consumo interno de produto nacionais”, conta Ferreira. Mesmo assim, o profissional acredita que é possível converter essa situação. Apesar das taxas, muitas vezes alguns produtos importados acabam saindo mais baratos do que se fossem comprados no Brasil.

“Um dos principais problemas é a demora na entrega, somado à lentidão do processo de despacho aduaneiro. O produto até chega rápido ao centro de distribuição dos correios do Brasil, mas para sair dali para a casa do cliente costuma demorar bastante”, explica Ferreira. Segundo ele, uma opção para evitar esse problema é optar por usar empresas de logística, entretanto, o empreendedor terá de desembolsar mais dinheiro e, consequentemente, aumentar o valor das mercadorias.

Além desses fatores, quando um produto errado chega ao consumidor ou é entregue com defeito, o processo de troca é extremamente demorado. Por isso, é necessário que o dropshipper seja sempre honesto e transparente com seus clientes. Vale a pena informar tudo isso na página eletrônica, para que o consumidor esteja consciente dos prazos da loja.

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