Entrevistas

Relacionamento com o “cliente”

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Presidente da Embarcadero do Brasil, a atual dona do Delphi, reforça a importância da ferramenta e comenta como é o relacionamento com os desenvolvedores

Um empresa de tecnologia precisa lidar com um público difícil, exigente. No caso das que produzem ferramentas, gerenciam linguagens e softwares é preciso saber ouvir o desenvolvedor e o programador, que não vai simplesmente “comprar o produto e sair da loja com um sorriso’. Ele vai testá-lo, estudá-lo e, em muitos casos, enviar um relatório completo com um feedback e a sua opinião sobre a tecnologia “vendida”. Esse relacionamento deve ser levado à sério, segundo Eugênio Braga, Presidente da Embarcadero do Brasil. Hoje, a empresa é a responsável pela comercialização do Delphi, uma tecnologia que é acompanhada pela comunidade há um bom tempo:

Revista W: Como a empresa tem trabalhado com ferramentas de desenvolvimento para o setor mobile?
Eugênio Braga: A ideia da Embarcadero é justamente conseguir fazer produtos que não dependam de plataforma. Seja iOS, Android, Windows Phone. O objetivo é abranger o maior número de dispositivos possível. E é como dizem: você nunca vai ser a melhor ferramenta do mundo para uma única plataforma, mas com certeza pode ser a melhor para quem trabalha com mais de uma plataforma.

W: Quais as principais ferramentas multidevice da Embarcadero?
EB: A ferramenta Rad Studio atende a diversas linguagens e oferece flexibilidade para o desenvolvedor. Não amarra o profissional ao mundo Windows, Android ou iOS, por exemplo. Já o FireDac é uma grande novidade. É uma tecnologia que demanda menos da máquina, é mais estável e menos dependente. Como agora temos muitos outros dispositivos e aplicativos que armazenam informações teríamos muito mais trabalho para lidar com dados. A ferramenta permite a interação
com inúmeros bancos de dados (de MySQL a Oracle). Trazer essas tecnologias para smartphone, tablet e desktop acaba com o problema de compatibilidade. A aplicação conversa com o banco sem limitações de sistema operacional.

W: Como é a relação da Embarcadero com o desenvolvedor que usa Delphi ou outras tecnologias da empresa?
EB: Trabalhamos com desenvolvedores há muito tempo. Estamos há 10 anos na área. Não é fácil trabalhar com o desenvolvedor, eles são bastante exigentes e tratam as tecnologias e linguagens como uma religião. Mas acredito que essa exigência é boa para nós. Esses profissionais defendem as linguagens com unhas e dentes e, por isso, exigem que os softwares sejam os melhores do mundo. Então, apesar de a cobrança ser muito grande, somos sempre desafiados a melhorar,
o que nos faz trabalhar da melhor forma possível para que eles fiquem satisfeitos. Para isso, tentamos estar muito próximos dos desenvolvedores para ouvir opiniões e saber o que fazer nas próximas versões de ferramentas. Acredito que esse seja o maior desafio. E nosso relacionamento com esses profissionais já é bastante próximo. Um exemplo é o tour que fizemos levando as novidades em ferramentas para 14 cidades brasileiras, para mostrar as ferramentas e recursos e ouvir reclamações ou sugestões importantes.

W: Essa exigência maior dos desenvolvedores tem relação com o fato do próprio usuário
comum estar também mais exigente?
EB: Sem dúvida. Hoje é que os clientes dos nossos clientes estão mais exigentes. Ou seja, principalmente por causa dos usuários, os desenvolvedores têm considerandodetalhes que antes não eram tão interessantes.

W: Atualmente, como você vê a oferta de desenvolvedores Delphi?
EB: Apesar do longo tempo de vida, o Delphi é uma linguagem muito capaz de se reinventar. Há pelo menos três mil profissionais formados saindo todos os anos de universidades conhecendo Delphi. Então, é mais fácil encontrar profissionais de Delphi do que, por exemplo, de Xcode
[ambiente de desenvolvimento integrado e software livre da Apple]. Acredito que há uma carência de desenvolvedores no Brasil, não só para Delphi. Só as ofertas de emprego cadastradas em nosso site são mais de 100 mil.

Entrevista publicada originalmente na edição 156 da Revista W (Todos os direitos reservados). Qualquer reprodução deve citar a fonte.

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