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Saiba como investir e engajar clientes no Facebook

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Especialistas dão dicas de como fanpages consolidadas no Facebook devem apostar em conteúdo e audiência para aplicar dinheiro e fazer campanhas da forma correta

A fanpage está pronta, visualmente bem produzida e com uma quantidade significativa de likes. No entanto, praticamente não há retorno nem conversão. O problema pode estar diretamente ligado à forma como a empresa interage com a audiência e a maneira como investe financeiramente em seus posts.

Independentemente do ramo de atuação ou do quanto a empresa está disposta a gastar, a base da estratégia no Facebook deve ser sempre o cliente. O sucesso na rede social está diretamente ligado à facilidade com que a marca consegue engajar a audiência e fazer com que ela se torne um cliente.

Não é necessariamente obrigatório aplicar centenas de reais no Facebook todos os meses para impulsionar publicações. Se os posts forem bem produzidos e planejados, os próprios fãs podem fazer esse serviço de forma natural. Essa técnica os especialistas chamam de alcance orgânico. Mas, para isso, é preciso oferecer publicações relevantes e úteis para o dia a dia do usuário, para que ele seja induzido a compartilhar.

O Facebook é uma das ferramentas mais poderosas quando se fala em interação com o usuário. Por isso, se você já tem presença nessa mídia, mas ainda não obteve resultado, a Revista W conversou com especialistas para ajudá-lo a investir, engajar e converter. Confira:

Vale para todos
Tiago Amaral, fundador da empresa 1+1>2, acredita que o Facebook não seja voltado para negócios específicos e defende que alguns setores têm mais facilidade em ter melhor desempenho na plataforma. “Empresas com produtos voltados para o consumidor final estão em vantagem devido à natureza de seus serviços”, diz o executivo da empresa, que conta com clientes como TrendMicro Brasil e Pure Resorts. Renan Caixeiro, fundador da E-Dialog, concorda e diz que companhias que oferecem artigos de consumo rápido e estão focadas em varejo têm resultados satisfatórios mais rapidamente. A empresa tem clientes como Governo de Minas Gerais e Bacardi.

Segundo Amaral, as redes sociais estão cheias de pessoas que procuram distração e entretenimento. “Os usuários desejam informações fáceis e mastigadas, empresas que conseguem passar a mensagem de forma rápida se sobressaem nessa plataforma”, conta. Ele destaca negócios com foco em turismo, moda e até alimentos como aqueles que funcionam melhor no Facebook.

“Empresas que podem oferecer um posicionamento de comunicação mais descontraído normalmente têm resultados excelentes no Facebook”, acredita Ricardo Marsili, diretor executivo da agência M2BR, que atende clientes como Petrobras e Coca-Cola. Mas, de acordo com ele, isso não quer dizer que outros negócios não devem estar presentes nas redes sociais.

Empresas B2B (Business to Business) podem enfrentar um pouco mais de dificuldades para obter resultados nessa mídia. “O público dessa plataforma busca conteúdo leve. Quem procura negócios e serviços empresariais costuma focar em redes sociais como o LinkedIn, por exemplo”, explica Amaral. No entanto, não é impossível aparecer. Ele comenta que essas companhias apenas precisam se esforçar um pouco mais na hora de pensar e planejar o conteúdo publicado, em comparação a uma empresa focada no cliente final.

Caixeiro comenta que o Facebook tem alcance massivo e que, quando se pretende vender para outras empresas, é necessário atingir apenas uma pessoa: a certa. “A rede social pode ser um canal que ajuda a encontrá-la, mas é preciso mais aprofundamento e especificidade para converter nesse tipo de negócio”, conta. Segundo ele, quando se vende um serviço, o apelo de venda pode não ser tão rápido, por isso é preciso um trabalho maior para convencer.

Precisa pagar?
Não é necessariamente preciso pagar para aparecer no Facebook, mas Marsili acredita que um pequeno investimento em mídia pode ser responsável por alavancar resultados de forma exponencial. Amaral comenta que a rede social tem apertado o cerco contra empresas e sugere duas soluções: colocar dinheiro e impulsionar a página ou entender melhor a audiência e oferecer conteúdo específico e personalizado.

Já Caixeiro confia que é cada vez mais difícil aparecer no Facebook sem pagar. “Isso não significa que seja necessário gastar fortunas. Com R$ 1 ou R$ 5 por dia, é possível posicionar bem um anúncio importante”, diz ele. Amaral concorda com a importância do investimento financeiro para aumentar visualizações. No entanto, ele alerta que não adianta um número alto de views se o conteúdo não for focado na audiência ao ponto de engajá-la.

Para quem deseja investir sério, Caixeiro comenta que a periodicidade do investimento financeiro depende muito de qual o retorno que a empresa espera. “Pense no objetivo das postagens e qual o alcance que deseja que elas tenham antes de colocar dinheiro”, diz ele. Marsili afirma que é interessante entender que cada caso é um caso, e a melhor maneira de começar é ter um planejamento bem segmentado das metas que a empresa pretende atingir.

“Para um negócio local de nicho, por exemplo, é possível ter bons resultados com menos de R$ 500 por mês em posts pagos e anúncios”, afirma o diretor executivo da M2BR. Caixeiro diz que o retorno pode ser rápido, e é possível identificar de onde ele vem, o que pode ser útil para direcionar publicações futuras.

No entanto, como precaução, Caixeiro recomenda que as empresas pensem na questão lucro versus custo. Se o retorno dos investimentos não for breve, é preciso parar imediatamente e repensar a estratégia para não ter prejuízo. Nesse caso, o especialista recomenda que a marca procure um profissional para gerenciar a tarefa.

O processo de investir no Facebook é feito por tentativa e erro, já que a rede social oferece várias ferramentas para tal. “Vale a pena conhecer todas as alternativas e testar até encontrar o que vale mais a pena para o seu negócio”, diz Amaral. Segundo ele, o controle de quando se deve continuar ou parar deve ser feito com base nos resultados dessas tentativas.

Se o objetivo é gerar tráfego natural, o segredo é caprichar no conteúdo publicado para que desperte interesse e seja útil para a vida do cliente. “Quanto maior a qualidade e o visual do conteúdo da página, mais alcance orgânico a fanpage terá na rede social”, diz Marsili.

Amaral comenta que não é obrigatório fazer publicações diárias, uma vez por dia pode ser tão efetivo quanto. “Se a empresa não tem o que falar, é melhor não dizer nada”, recomenda. Segundo ele, muitos posts por dia podem afetar o desempenho desse conteúdo, pois, se a fanpage não tem muitos seguidores, os posts começarão a competir entre si pela atenção do usuário.

Conteúdo
A “era dos likes” está acabando no Facebook e, segundo Marsili, as empresas estão começando a perceber que essa é uma métrica vazia, que não se converte em nenhum objetivo do negócio. De acordo com Caixeiro, é fundamental que as empresas percebam se as pessoas que curtiram a fanpage estão interessadas na marca. “Não adianta ter milhares de curtidas de quem não tem intenção de virar cliente”, revela.

Por isso, o segredo para aumentar o engajamento em uma página que já tenha uma quantidade significativa de seguidores é levar material útil. “As publicações devem ser focadas em conteúdo que resolva algum problema ou que torne a vida do cliente melhor de alguma maneira”, afirma Marsili. Segundo ele, as empresas devem parar de se preocupar com likes e não medir esforços para promover maior engajamento.

Amaral acha válido relembrar que o conteúdo que engaja é aquele que resolve problemas do dia a dia do consumidor. “É preciso abusar do entretenimento e até mesmo do humor para aproximar o cliente”, diz. Segundo ele, o segredo é não dar prioridade à quantidade, e sim para a qualidade das publicações.

“O cliente deve sempre receber valores ou benefícios, é preciso envolver sentimento”, comenta Caixeiro. Entregar dicas valiosas à rotina do consumidor faz com que ele se sinta bem consigo mesmo e isso traz mais retorno para a empresa. Segundo ele, é por isso que conteúdo humorístico faz tanto sucesso nas redes sociais, pois entra na vida do usuário e traz sensações boas para melhorar o dia dele.

“Use o Facebook como audiência; mais do que converter, é necessário continuar produzindo histórias”, recomenda Amaral. Ele comenta que é preciso equilibrar os focos e não ficar preso ao comercial. A empresa deve usar com moderação publicações corporativas para não sobrecarregar o consumidor. Para quem deseja apostar em investimento financeiro, não há segredo. “Destine sempre uma verba para as publicações que geram mais curtidas”, diz Caixeiro. Nunca se deve deixar de lado o objetivo dos posts para impulsionar o que o cliente gosta e aproximá-lo do produto que a marca deseja vender.

Amaral destaca que se a página continuar com pouco alcance mesmo impulsionando publicações, é porque ela não tem conteúdo interessante. “As empresas devem ter consciência de que promover um post não necessariamente aumentará o engajamento do público”, diz. Ele recomenda que os empreendedores se esforcem para tornar o compartilhamento orgânico mais efetivo, pois isso ajuda a economizar dinheiro.

Quanto à produção em si, Marsili confia que imagens e vídeos chamam muito mais a atenção do que links e textos. “Melhor ainda é focar em conteúdo original, voltado em demonstrar como seu produto ou serviço pode melhorar a vida das pessoas”, comenta. De acordo com ele, as marcas precisam deixar de ver o Facebook como um ambiente de relações públicas, já que se posiciona muito mais como uma plataforma de mídia.

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