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Saiba quem apostou na internet e superou a crise

Behold Studios Knights of Pen Paper 2

Da empresa de games que decidiu expandir seus negócios para outros países até a primeira companhia do mundo especializada em curadoria de conhecimento (um serviço que promete ampliar a sabedoria das pessoas), conheça quatro cases inovadores que driblaram a crise econômica brasileira e provaram que o cenário de tecnologia anda muito bem.

Behold Studios

Empresa de games acredita que o jeito certo de driblar a crise é deixar de focar no Brasil e passar a olhar o público mundial

Não são apenas os grandes desenvolvedores de jogos que fazem sucesso. Na verdade, existem estúdios menores que estão ganhando terreno com games segmentados e bem-feitos. A representante brasileira nessa área é a Behold Studios. A empresa começou a ser moldada em 2008, quando Saulo Camarotti estava na universidade, mas só conquistou terreno mesmo em 2012, quando o RPG Knights of Pen & Paper foi lançado.

“O jogo atingiu mais de 1,5 milhão de downloads pagos para mobile e computador. Ele foi premiado e nomeado em quase 30 troféus internacionais, e isso alavancou o estúdio”, conta Camarotti, cofundador da companhia. “Por causa desse game, encontramos nossa maneira de produzir jogos, que é de forma independente, artística e autoral. Nossa ideia é ser inovador no conceito, mas sem perder as referências clássicas dos anos 1990.”

Com estimativa de faturamento de R$ 2 milhões para 2015, a Behold Studios acredita que quem está no mundo digital pode driblar a crise, mas não é tudo que dá certo. “Os jogos estão em alta. A cada dia o ser humano sente mais necessidade de se sentir heroico e conquistar frutos. É no game que ele pode viver um pouco desse mito. Nós trabalhamos com cultura e comportamento, não podemos apenas analisar de um ponto de vista econômico”, diz Camarotti.

Por outro lado, o CEO acredita que a internet é um aliado na hora de ampliar seu público, já que você não é obrigado apenas a negociar com o mercado brasileiro. “Hoje, podemos estar em qualquer lugar do mundo, vender para mais de cem países. Estamos baseados em Brasília e estimulamos que o mercado local cresça e floresça, mas sempre pensamos mundialmente. Desde o primeiro dia, o mercado-alvo são os gamers de todo o planeta”, conclui.

Filho Sem Fila

Programa acredita que, mesmo com o Brasil em crise, soluções para problemas atuais devem ser encontradas para facilitar a vida das pessoas

Filas e trânsito são sinônimos de praticamente qualquer cidade grande, no Brasil ou no mundo. Foi no meio desse cenário que Leo Gmeiner teve a ideia de criar o programa Filho sem Fila. Certo dia, em vez dos “habituais” 20 minutos que esperava para pegar seus filhos na escola, ele demorou mais de 40. Enquanto aguardava no carro, Gmeiner passou a pensar em um tipo de solução pelo celular que pudesse resolver o problema. Eureca!

A ideia é simples. Quando os pais ou responsáveis estiverem chegando perto, eles enviam um alerta pelo aplicativo no celular. A escola recebe o chamado em seu software, prepara o aluno e, no tempo exato, entrega a criança na porta do colégio. “Quem usa o Filho sem Fila tem um ganho no fluxo dos carros e uma melhora em torno de 75% no tempo, passando a espera de 20 para apenas 5 minutos”, afirma Gmeiner. O programa já tem 60 escolas, 30 mil crianças cadastradas e duas versões. A padrão sai por R$ 1.800 mais R$ 1 de mensalidade por cada aluno. A customizada é R$ 3.800 e R$ 1,80 por criança.

Criado em plena crise econômica, Gmeiner garante que não é porque o País está nesta situação que não se deve procurar por soluções para problemas atuais. “Quando você tem algo que funciona nesse cenário com valor justo e acessível, dá sim para driblar a crise”, garante o idealizador do Filho sem Fila. “O importante é estudar o mercado, os concorrentes e entender quais são os custos envolvidos no negócio. Ser cuidadoso é importante em qualquer época.”

Embora o software tenha sido pioneiro mundial, agora já existem concorrentes – dois são de consentimento de Gmeiner. Mas nem os rivais e muito menos a crise incomodam o idealizador. “É muito bom lançar algo que ninguém criou, mas não dá para ficar na zona de conforto. É necessário sempre buscar melhorias. E também sempre repito uma frase que ouvi há algum tempo: ‘a crise está aí, mas eu decidi não fazer parte dela’”, afirma.

Viva! Experiências

Empresa contornou a situação econômica do País ao oferecer presentes originais e que impactam a vida de quem os recebe

Durante uma viagem pela França, em 2009, André Susskind percebeu que o país oferecia um tipo de serviço de premiação pouco visto no Brasil. Em vez de presentear uma pessoa com algo material, era possível comprar uma experiência de vida. Inspirado pela ideia, ele criou a Viva! Experiências, uma empresa que “vende” desde caixas com 30 brigadeiros gourmet de uma doceria famosa até pilotagem de Ferrari e passeio de balão.

“Começamos atendendo apenas pessoa física e depois vimos que o mercado corporativo também pedia por isso. Hoje, premiar funcionários com recompensas materiais não é mais viável”, afirma Michelle Weiser, responsável pela área de marketing da empresa.

Quem ganha o presente recebe um kit com caixa, livro e voucher baseado na categoria escolhida – que pode ser aventura, luxo, gourmet, bem-estar, entre outros. Inclusive, é o presenteado quem determina o que quer fazer. A Viva! Experiências dá cerca de 20 opções e a pessoa gasta como desejar. Os pacotes para pessoa física começam em R$ 79 e vão até R$ 899. Já as companhias não têm valor limite.

“Mesmo com o mercado em crise e com as empresas em um cenário não muito agradável, tivemos um aumento de 20% no número de projetos fechados no primeiro semestre de 2015 em relação ao ano anterior”, conta Michelle. “O preço total investido nos kits também cresceu quatro vezes mais.”

Até agora, a Viva! Experiências atendeu cerca de 5 mil empresas e teve mais de 30 mil pedidos de pessoas físicas. Para Michelle, a razão para a empresa estar “bombando” no mercado é que o presente pode ser vivido, compartilhado e divulgado pelos mais diferentes meios. “Vale ressaltar também que nenhuma empresa no Brasil oferece tudo o que temos. Apenas concorrentes parciais batem de frente”, diz.

Inesplorato

Companhia previu o possível cenário de crise e passou a vender caixas que contém conhecimento

Durante uma palestra, Débora Emm usou seus conhecimentos em publicidade e sociologia para montar uma apresentação. Claro que o conteúdo não passou despercebido e, logo, ela foi abordada pela plateia. Entre os ouvintes, estava um engenheiro que achou o máximo o que foi exposto sobre sociologia. Na verdade, ele tinha tentado ler um livro sobre o tema, mas não havia entendido nada. Então, pediu uma sugestão para Débora. Vendo que podia ajudar as pessoas a consumir conteúdo interessante que coincidissem com seu nível intelectual, a garota criou a Inesplorato.

“Somos uma empresa pioneira em curadoria de conhecimento. Nosso objetivo é tentar fazer com que as informações certas cheguem até as pessoas certas e possam transformá-las, fazer com que evoluam e enxerguem tudo de uma forma diferente”, explica André Freire, curador de conhecimento. “Nosso maior diferencial é o raciocínio inverso. Muitas vezes não indicamos algo que a pessoa quer, mas de que ela precisa e vai transformar sua vida.”

A Inesplorato atende dois tipos de público. A pessoa física faz uma entrevista e, em troca, recebe uma caixa com os mais diferentes tipos de materiais que vão enriquecer seu conhecimento. A experiência sai por R$ 1.800. Já as empresas encomendam estudos mais aprofundados sobre determinado tema. Apesar de não existir uma faixa de preço, Ambev, Globo e P&G são algumas marcas que usam o serviço.

No mercado desde 2010, a companhia já estava preparada para a crise há dois anos. “Nós imaginávamos que esse cenário seria muito provável. Então, buscamos algumas soluções”, conta Freire. “A principal ideia foi diversificar nosso portfólio de entregas e clientes. Procuramos por empresas com demandas diferentes e que pudessem se beneficiar em um momento mais competitivo. Também pensamos no que as empresas em tempo de crise precisam e preparamos estudos e informações que poderiam interessá-las”, conclui.

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