Startup

A mágica de Mandic

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Aleksandar Mandic foi um dos pioneiros no e-commerce nacional. Ele lançou um aplicativo que, no início do lançamento, já contava com 6 milhões de usuários no mundo todo

Por Marina Gabai

Para ajudar quem precisa se conectar à uma rede WiFi de terceiros, Aleksandar Mandic criou o Mandic MagiC. É um aplicativo para compartilhamento de senhas de redes de estabelecimentos públicos e privados. Funciona como uma rede social, mas no lugar de fotos, textos ou vídeos, os usuários postam lugares e senhas. Assim, as pessoas não precisam perguntar qual é a rede ou a senha para funcionários toda vez que for a algum lugar e quiser se conectar com notebook, celular ou tablet. Basta consultar o app e ver no mapa onde está a rede mais próxima, clicar nela e ter acesso à senha. O serviço deu tão certo que se popularizou rapidamente e, no início do lançamento, já contava com cerca de 6 milhões de usuários em todo o mundo. Para entender melhor como foi esta explosão, a Revista W conversou com o criador do software para conhecer melhor o app e sua experiência de tantos anos com a internet. Acompanhe a entrevista exclusiva.

O aplicativo

Aleksandar Mandic conta que, no primeiro momento, criou o app apenas para uso pessoal. “Eu tinha essa necessidade de senhas de WiFi. Se eu vou para a França, por exemplo, não falo francês e preciso perguntar a senha para o garçom. Era muito complicado. Então criei o app, que era apenas uma base para colecionar as senhas”. Mas ele não era o único que sentia essa necessidade. Dez dias depois de lançar o Mandic MagiC no mercado, o software decolou. “Aí eu comecei a ver uma oportunidade comercial e investi nisso. Hoje, ele cresce 35 mil usuários por dia, 1 milhão de usuários por mês”, revela.

O Mandic MagiC é gratuito e está disponível para aparelhos com sistema Android e Apple iOS. Ele permite que o usuário identifique pontos de acesso WiFi, descubra se são abertos ou fechados, e nesse caso, consiga a senha. Quando um usuário vai a um restaurante, por exemplo, e deseja acesso à internet, é só olhar no app se a senha está disponível. Se sim, já pode se conectar, se não, pede a senha e posta no aplicativo para que os outros usuários tenham acesso. “Uma vez que você colocou uma senha, os outros 6 milhões de usuários têm acesso a ela”, explica.

O cadastro pode ser feito com a conta do Facebook – e aí seus amigos que também usam o app recebem uma notificação de que você também usa o serviço – ou por um novo perfil criado exclusivamente para a ferramenta. Depois de feita a inscrição, o usuário vê um rápido tutorial sobre seu uso. Quando o programa é executado, mostra um mapa, baseado na localização do usuário, com as redes mais próximas. As conexões fechadas e abertas são identificadas por cores diferentes. Para ver a senha de uma rede é só clicar no seu ponto no mapa.

Negócio sério

Mandic não esperava ter tanto sucesso com um app desenvolvido por necessidade própria. “Agora que a gente está levando esse negócio a sério, que eu estou vendo de fazer disso uma empresa mesmo, isso deve acontecer em 2014”. Segundo ele, o plano é continuar crescendo. “Se hoje temos 6 milhões de usuários, quero chegar a 60 milhões. O meu sonho é que a gente tenha o sucesso do Waze, mas vindo do Brasil”. O app já é usado em quase todo o mundo, apenas alguns países da África, a Groenlândia e a Mongólia não têm acesso.

Com toda a sua experiência no mercado da internet, Mandic diz que o segredo é simplesmente fazer. “Se você tem uma ideia, vá lá e faça. Porque se você não fizer vai aparecer outro que vai fazer. É muito melhor uma má ideia executada, que uma boa ideia não executada”. Ele diz ainda, que hoje em dia é difícil achar um nicho que não tenha sido explorado, mas sempre se pode criar algo novo. “As vezes a gente pensa que já inventaram tudo no mundo, mas isso não é verdade, não existia uma rede social para senhas de WiFi por exemplo. Para se destacar é importante fazer um programa bom, que seja útil e tenha uma boa marca, que seja mais fácil de ser conhecido e levar o negócio a sério. E por último, ter sorte”.

Muito antes da startup

A relação de Aleksandar Mandic com a internet começou antes mesmo de ela existir. Em 1990 ele criou a Mandic BBS, um sistema que ligava um computador a um programa via telefone. “Era como se o próprio PC fosse toda a internet, hoje são milhões, mas naquela época era um só. Cada um tinha uma BBS e eles não se falavam entre si”, explica Aleksandar Mandic. No período, o mundo virtual era quase inexistente no Brasil. Foi só em 1995 que o uso da rede foi liberado no País. Em 1997, o faturamento da empresa chegou a US$ 14 milhões. Ele, então, enxergou a possibilidade de um novo negócio e vendeu a antiga empresa para um grupo argentino.

Ele conta ainda que um mês e meio depois, foi chamado por um amigo para um novo projeto: o IG, portal e provedor de serviço à internet banda larga discado. Ficou lá por dois anos no cargo de vicepresidente de novos negócios. “Em 2001 me deu vontade de abrir a Mandic novamente, então saí do IG e abri a Mandic Mail”, conta. O novo formato da empresa fornecia e-mails corporativos para clientes com alto poder aquisitivo. Em 2012, ele vendeu o negócio novamente. “Mas não consegui ficar muito tempo longe, eu fracasso toda vez que tento me aposentar. Foi aí que tive a ideia do aplicativo Mandic Magic.”

 

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