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Além do mobile

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O especialista em design mobile e Experiência de Usuário, Josh Clark, contou à Revista W como lidar com o domínio das tecnologias móveis

A popularização dos dispositivos móveis trouxe novas necessidades aos usuários. Eles queriam encontrar em seus celulares e tablets o mesmo que havia nas telas dos computadores. Logo, desenvolvedores e web designers precisaram se adaptar para criarem produtos para essas plataformas e o chamado design responsivo se tornou uma ferramenta essencial. O método tem um único objetivo: criar experiências completas, dedicadas ao mobile. Sites responsivos são aqueles que conseguem funcionar bem em qualquer tamanho de tela, sem interferências na navegação e Experiência do Usuário.

Lidar com essas mudanças foi difícil no início, principalmente por conta da velocidade com que o mobile evoluiu. Hoje, os sites mobile, feitos especialmente para dispositivos móveis e as páginas responsivas são praticamente uma obrigação. É por isso que profissionais de desenvolvimento precisaram entender melhor esse cenário e ampliarem seus conhecimentos sobre mobile. “Designers precisam começar a pensar não apenas para telas, mas para sensores”, defende Josh Clark, especialista em design mobile e Experiência de Usuário da Global Moxie. Ele defende que desenvolvedores abracem a “causa” do mobile a aproveitem a fase para experimentarem. Confira a entrevista:

Revista W: Hoje, o usuário navega mais em seus dispositivos móveis do que em qualquer outro. Como os desenvolvedores devem encarar essa nova realidade?
Josh Clark: Ainda pensamos no desktop como a verdadeira experiência. Precisamos aceitar que não estamos preparando conteúdo e serviços para um único formato. O seu produto não é um site, um app, um livro ou revista. Esses são apenas contêineres temporários para o verdadeiro produto que é o conteúdo. Os sites que criamos há cinco anos estão desatualizados. Os apps que fizemos há dois já parecem velhos. É um momento de se concentrar na concepção e estruturação do conteúdo, na criação de sistemas de gerenciamento e APIs que falem com qualquer plataforma. O conteúdo precisa ser oferecido de forma diferenciada, de modo que qualquer app ou site possa funcionar conforme o dispositivo em mãos. Essa é a única forma de manter qualquer tipo de posição criativa nesse cenário de rápida transformação.

W: A questão da mobilidade está relacionada apenas com os dispositivos?
JC: Há uma tendências em associar mobile com telas. De fato, para computação em geral pensamos em interação com telas. Mas o mobile também começou a mudar a nossa interação para fora das tela e para dentro de um ambiente em torno de nós. Os designers precisam começar a pensar não apenas em criar para telas, mas para sensores. Em vez de perguntar “Como posso fazer menos no mobile?”, “Como cria uma boa experiência?”. Smartphones podem fazer mais do que computadores tradicionais. Eles são equipados com superpoderes, com todos esses sensores, incluindo GPS, áudio, giroscópio, detecção por proximidade. Como posso usar essas experiências para transformar a computação?

W: Há novas tecnologias que trouxeram mais possibilidades. Como você acredita que elas podem apoiar o mobile?
JC: A web está cada vez mais capaz e interativa. O HTML5 permite que você apresente informação e interações de formas realmente sofisticadas. É um momento animador, com muita experimentação. Estamos vendo os limites do HTML se espalhando para fora do browser. Visualizações da web estão aparecendo por toda a parte, dentro de e-books e apps nativos. O Windows 8, por exemplo, até encoraja os desenvolvedores a criarem aplicativos nativos usando HTML, CSS e JavaScript. E o fato de a Microsoft ter criado tudo com base em JavaScript para dar pleno acesso ao dispositivos e SO, é que esses aplicativos podem fazer ais do que apps web típicos.

W: Qual o futuro do web design responsivo?
JC: Acredito que o web design responsivo deveria ser ponto de partida para qualquer novo projeto da web. A pergunta com a qual deveríamos começar sempre é: podemos fazer um único sites para esse serviço que funcione bem em todos os dispositivos? A respostas pode ser não, por razões técnicas ou de negócios. E se não é possível contruí-lo responsivamente, então talvez  façamos sites separados. Mas a atitude padrão deve ser a de construir páginas com técnicas responsivas que se adaptem naturalmente a qualquer tamanho de tela. Tivemos progressos enormes na curta história de três anos de design responsivo. O conceito desse design é simples, mas a execução pode ser difícil. Trabalhamos nessas questões, e desenvolvemos um padrão de design sólido em que podemos confiar. O próximo passo é focar na performance. A primeira geração de sites responsivos era pesada, puxando todo o código e marcação necessários para cada dispositivo. Hoje estamos começando a ver um empurrão também em torno do web design responsável, com técnicas mais leves. Isso é importante porque precisamos fazer experiências que fiquem boas em qualquer dispositivos e que sejam também rápidas e enérgicas.

Publicado originalmente na edição 157 da Revista W. Toda e qualquer reprodução deve citar a fonte. 

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