Entrevistas

Motoboy pela internet

Debert-loggi

Conheça a Loggi, uma empresa que soube inovar em um setor bastante concorrido e conseguiu se destacar no mercado

Com o ambiente de startups aquecido, é preciso se diferenciar para ter destaque. Não adianta montar um negócio que ofereça apenas o mesmo serviço que outras empresas. É necessário trazer inovações e se manter à frente da concorrência para ganhar o mercado. A Loggi, empresa de entregas por motoboy ou bicicleta, criada por Arthur Debert, Eduardo Wexler e Fabien Mendez, atua em um nicho bastante explorado e conseguiu se destacar como uma startup inovadora, que usa a tecnologia a seu favor. Por isso, a Revista W conversou com Debert para saber mais sobre como tudo começou e como funciona o modelo de serviços da empresa. Ele também deu dicas para quem tem ou quer montar o próprio negócio.

Inspiração para o seu negócio

Ao contrário do início de outras empresas, antes de mesmo pensar em abrir a Loggi Arthur Debert e sua equipe fizeram uma vasta pesquisa sobre o mercado. A empreitada incluiu os concorrentes em motofrete, a legislação específica para esse tipo de entrega, situações locais, preços, o cenário das entregas e, também, o panorama mundial, para ter alguma comparação. Eles analisaram tudo a fundo, todas as questões possíveis que pudessem afetar a realização das entregas. “Fabien, um dos fundadores, já tinha tido problemas com legislação em outra empresa de aluguel de limousines, por isso resolvemos pesquisar tudo o que pudéssemos sobre o assunto”, explica Debert.

Ao contrário de outras startups que surgem a partir de uma ideia, e depois vem a pesquisa, a Loggi surgiu de uma análise de mercado, que mostrou um nicho sem nenhuma empresa muito bem consolidada. Seu diferencial é que tudo é feito pelo site da empresa. Só é necessário fazer um cadastro, como pessoa física ou jurídica, escolher os pontos da entrega, que o cálculo já é feito automaticamente, e ainda acompanhar toda a entrega online, no mapa. É possível saber onde o motoboy está e ver todo o caminho realizado, quanto tempo ele demorou em cada ponto e saber quando a entrega é realizada.

O contato entre quem contratou o serviço e o motoboy também pode ser feito via telefone, caso haja necessidade de alguma dúvida durante a entrega. O valor a ser pago é o que foi calculado antes, mas caso haja algum tipo de atraso e o motoboy precise ficar esperando para fazer a entrega, é cobrada uma taxa por minuto.

A Loggi disponibiliza opção de pagar por cartão de crédito ou por boleto bancário. Para empresas que utilizam o serviço constantemente, ela oferece um balanço dos gastos e recibos de entrega para ajudar na contabilidade. Outro diferencial interessante é sobre as entregas com bicicletas, que seguem o mesmo esquema das feitas por motocicletas, mas tem a vantagem de serem uma opção sustentável.

Apesar do mundo mobile estar com tudo, o fundador Debert defende que, nos estudos do público que utiliza o serviço, não constatou a necessidade de um aplicativo para celular ou tablet. “Nós até pretendemos lançar um app para clientes, mas não é tão relevante, porque nossos maiores usuários são da área de business. Essas pessoas não vão usar o celular particular para fazer pedidos da empresa”, explica ele. O empreendedor também ressaltou que ainda falta adaptar o site para funcionar melhor em navegadores mobile, e que essa é uma falha que será corrigida eventualmente, mas não é prioridade.

Loggi fundadores

Da esquerda para a direita, os fundadores Eduardo Wexler, Fabien Mendez e Arthur Debert

Dicas para se destacar no mercado 

Em relação às perspectivas para startups de serviços em 2014, Debert é bastante otimista. “O mercado era quase inexistente há três anos, mas vem crescendo bastante”, afirma. Segundo ele, o Brasil ainda está tirando o atraso em relação a outros países, e nesse caminho é normal que surjam empresas semelhantes, atuando no mesmo nicho que outras, e que isso é bom para a competição. É normal e faz o mercado crescer.

Como o País não tem a tradição de investir em empresas de tecnologia, Debert aponta que o gargalo fica por parte dos investidores. Existem boas ideias esperando para ganhar a vida, mas há pouco interesse e confiança por parte das pessoas que estão com o dinheiro, segundo ele. Normalmente, como uma startup não tem um modelo de negócios tão bem definido como um e-commerce, por exemplo, e há certo receio em investir. A sorte da Loggi, como ele aponta, foi já ter um plano de negócios pronto, antes de procurar investidores. Mas vale lembrar que o grande diferencial das startups é justamente o seu crescimento rápido e segundo Debert já há uma mudança de pensamento nesse sentido. Cada vez mais essas empresas chamarão a atenção de quem “está com a grana” e agora está disposto a apostar em algo mais ousado.

Para quem quer começar um negócio, ele diz que a tecnologia deve ser um dos pontos iniciais. “A oportunidade está aí: agora conseguimos fazer coisas que antes não eram possíveis, usando a tecnologia disponível, então há muitos mercados inexplorados. O dinheiro não é o mais importante. Foque na tecnologia e no que você quer fazer, que o lucro vem como consequência”, instrui. Para ele, a monetização vem em seguida. O principal é montar o serviço e mostrar que ele funciona, e ir atrás de investidores sempre, para tornar as coisas mais fáceis de saírem do papel.

Outro conselho do empreendedor é não se preocupar tanto com a competição. É claro que é necessário conhecer quem são os seus rivais, mas o foco deve ser sempre o seu serviço. “Se ficar olhando demais o que a concorrência está fazendo, vai acabar sempre copiando e ficando em segundo lugar. Agora, se você fizer algo antes, são eles quem vão querer copiar”, explica. Ele também completa que é necessário estar sempre buscando coisas diferentes e que a velocidade de adaptação é importante para se manter na frente. Por último, ele enfatiza que é preciso sempre tentar coisas novas mesmo que elas não deem certo. “Continue tentando. Pode não acertar da primeira vez, mas quem sabe na quarta tentativa você consiga montar um negócio? Não desista”, conclui.

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