Opinião

O copo cheio do e-commerce

ecommerce em alta

Presidente da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico revela como aproveitar a boa fase do setor de varejo online

Por Maurício Salvador*

Sabe como diferenciar um otimista de um pessimista? Coloque um copo d’água pela metade em sua frente e pergunte o que ele acha. O otimista dirá que o copo está meio cheio. O pessimista, meio vazio. Os números do comércio eletrônico brasileiro se mostram na mesma situação de um copo d’água pela metade.

Se por um lado alguns enxergam o setor em crescimento e como uma oportunidade pra empreender, por outro, há aqueles que dizem que ninguém ganha dinheiro com e-commerce no Brasil. Onde o copo está meio vazio? Trata-se daqueles que ressaltam que nove entre as dez maiores empresas de varejo digital no Brasil dão prejuízo. Mas isso não é uma bolha, já que os e-consumidores existem e gastam cada vez mais comprando pela Internet. A competitividade é acirrada, a pressão dos investidores aumenta, as margens diminuem, os custos de mídia e operacionais avançam, políticos criam leis absurdas e os consumidores estão descobrindo a cada dia que comprar na China é muito mais barato.

Para acelerar o quadro de crescimento do e-commerce no País, existem algumas regras. Número um: se alguma vez você chegar ao fundo do poço, pare de cavar. Oferecer frete grátis acima de qualquer valor é completamente desaconselhável. Reveja as contas, mesmo que o faturamento caia, a rentabilidade vai aumentar. Não interessa o que seu concorrente ofereça, deixe-o quebrar sozinho. Oferecer parcelamento em 12 ou até 18 vezes sem juros também não vale a pena. Sobre cliques baseados em leilões, acredite, seu consumidor navega por muitos lugares na Internet além daqueles que vendem cliques por leilões. Não tenha pena se o custo de aquisição no canal não der resultado, o mais indicado é procurar alternativas. Olhe pra dentro de casa e entoe esse mantra todos os dias quando acordar: usabilidade aumenta conversão.

A bolha da internet que estourou no ano 2000 deixou traumas. O mercado está cheio de investidores em busca de planos de negócio com breakeven (ponto em que o negócio começa a se tornar rentável) em seis meses. Os que hoje criticam os modelos de negócios de médio prazo das empresas de Internet são os mesmos que teriam vendido suas ações do Google depois de dois anos operando no vermelho. Ver alguém rasgando dinheiro realmente me dá calafrios, mas estou tranquilo. Os investidores por trás dos grandes players de e-commerce no Brasil não são ingênuos e sabem muito bem o que estão fazendo e onde querem chegar. A briga para ser o maior a qualquer preço parece estar chegando ao fim.

E onde o copo está meio cheio? É aquele que enxerga que o setor de varejo eletrônico gera mais de 500 mil empregos diretos e indiretos. Conheço centenas de microempresários que, por conta do e-commerce, mudaram para uma vida melhor, e disseram adeus a seus chefes. Há os que faturam (com lucro) de R$ 10 mil a 10 milhões por mês vendendo pela Internet. Mas essas histórias não vendem jornais.

*Maurício Salvador é presidente da ABComm – Associação Brasileira de Comércio Eletrônico –, consultor de lojas virtuais e sócio fundador da Ecommerce School

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