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Startup cria serviço de mobilidade urbana

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Aplicativo Borajunto Táxi conquista espaço no mercado ao permitir o encontro de pessoas que topem dividir o valor de corridas

Na foto, da esquerda para a direita, Ticiana Hugentobler, Wylliam Lima, Guilherme Pim e Pedro Dias

Soluções que fazem as pessoas economizarem têm tudo para dar certo. E foi de olho nesse cenário que quatro jovens, entre eles Pedro Dias, ex-aluno de design de mídia digital da PUC-Rio, desenvolveram a startup Borajunto Táxi. Com o objetivo de facilitar o encontro de pessoas que desejam fazer trajetos similares de táxi e, dessa forma, dividir a corrida, o app foi lançado no fim do ano passado com 5 mil usuários pré-cadastrados.

Não tardou para que a empresa abocanhasse prêmios mundo afora, como o primeiro lugar do Michelin Challenge Bibendum, realizado na China. Além disso, foi uma das finalistas do programa Energia, de Portugal, e recebeu menção honrosa no Prêmio Mobilidade Minuto, que destaca iniciativas para melhoria da mobilidade urbana no Brasil.

“Foi muito gratificante ter esse reconhecimento logo no início do projeto”, conta Dias. Disponível para smartphones e tablets com sistema operacional Android ou iOS, o Borajunto pode ser baixado gratuitamente. “O serviço é simples, intuitivo e pode ser usado por qualquer pessoa que queira dividir corridas de táxi. A maioria dos usuários reside no Rio de Janeiro atualmente, mas o app já funciona em diversos outros estados do Brasil”, afirma Dias.

Interface simples

Para tornar o Borajunto Táxi popular, os desenvolvedores Wylliam Lima, Ticiana Hugentobler e Guilherme Pim, apostaram em uma ferramenta que funcionasse como os grupos do WhatsApp, já que o comunicador instantâneo serviu de base para o projeto. A conexão pode ser feita por meio do perfil do Facebook e, a partir daí, basta adicionar algumas informações para encontrar um possível parceiro de corrida.

“O app registra dados como itinerário, dia e hora que você pretende usar o táxi. Em seguida, lista as pessoas que farão trajetos semelhantes”, explica Dias. Com isso, basta escolher um dos usuários e iniciar uma conversa para combinar os detalhes. Os chats comportam até quatro pessoas, tornando o rateio ainda mais vantajoso para todo mundo.

Na hora de escolher um companheiro de táxi, dá até para “investigar” os candidatos. É possível checar o perfil, ver se existem amigos em comum e conferir quantas corridas compartilhadas eles já fizeram até o momento. Caso nenhum resultado seja encontrado, o app avisa se pintar alguma oportunidade. Tudo para preservar a segurança dos envolvidos.

Da escola para as ruas

O Borajunto surgiu das necessidades observadas no próprio ambiente universitário. A intenção inicial era melhorar a mobilidade dos alunos da PUC-Rio, que sofriam com trânsito e estacionamentos cheios. “Queríamos fazer com que os estudantes andassem com mais conforto e segurança. O objetivo principal era diminuir os custos e a quantidade de carros nas ruas e no estacionamento da faculdade”, conta Dias.

A partir daí, o projeto começou a ganhar asas. “Criamos um grupo no Facebook chamado Borajunto PUC-Rio e convidamos alguns amigos. Neles, os alunos informavam os bairros em que moravam e o número de telefone”, explica o sócio do projeto. Depois disso, começaram a surgir grupos específicos para outros bairros, como Flamengo, Ipanema e Ilha do Governador.

“Toda vez que aparecia alguém de um bairro novo, criávamos um grupo e adicionávamos todas as pessoas ali. A proposta era simples: reunir quem fazia trajetos parecidos numa conversa para que entrasse em acordo na hora de dividir o transporte”, explica Dias.

Aos poucos, os grupos passaram a exibir resultados diferentes. Havia desde quem propunha pedalar em galera até tentativas de organizar vans. No meio de tudo isso, a turma aproveitava para combinar caronas e corridas de táxi compartilhadas. E foi assim que deu o estalo de criar o aplicativo.

Divisão de tarefas

Hoje, cada um dos sócios atua em uma área diferente da empresa. Lima é o desenvolvedor. Ticiana é administradora e já trabalhava em seu próprio projeto de startup com foco em mobilidade. Pedro Dias, por sua vez, cuida da parte relacionada a design e já passou por três startups de diferentes áreas. “Nós três já vínhamos trabalhando em soluções digitais para mobilidade urbana, e o Borajunto foi uma de nossas tentativas. Felizmente deu tudo certo”, relata o designer, que faz questão de ressaltar a contribuição de outros desenvolvedores, como Guilherme Pim. “É preciso ter um time coeso, cada um com uma função, para chegar lá”, afirma.

O projeto saiu efetivamente do papel (ou dos grupos de WhatsApp) ao ser selecionado pelo Startup Rio, programa dedicado ao incentivo de projetos relacionados a tecnologias digitais. A iniciativa é realizada pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro e oferece apoio aos empreendedores. Por meio dela, os sócios do Borajunto receberam instruções de grandes empresas, como Google e Sebrae, que foram fundamentais para o início da plataforma.

Em novembro do ano passado, a equipe da startup embarcou com destino à China para participar do desafio mundial de mobilidade urbana, o Michelin Challenge Bibendum (MCB). A conquista do prêmio foi muito comemorada, já que o júri era composto de empresários de marcas renomadas, como GDF Suez, Michelin e PSA Peugeot-Citröen. O evento foi disputado por nada menos que 315 times de 38 países diferentes.

Parte financeira

Apesar do sucesso, o Borajunto ainda não conta com fonte de remuneração. Todo o dinheiro usado no projeto faz parte do valor investido pelo programa Startup Rio – um montante de R$ 100 mil repassado em duas parcelas semestrais. “A verba é essencial para continuar investindo e desenvolvendo a empresa, mas ainda estamos esperando a segunda parcela do financiamento do Startup Rio, que já está com mais de cinco meses de atraso.” Isso prejudica bastante os negócios, conta Dias, provando que nem tudo são flores para os projetos iniciantes.

Uma estratégia está sendo montada para deixar essa situação para trás e fazer com que o aplicativo vá além de ajudar as pessoas e se torne uma fonte de renda para os sócios. “Queremos montar uma solução corporativa do Borajunto Táxi, pois já fomos procurados por algumas empresas que têm interesse em reduzir os custos com táxis”, explica Dias. Com a ideia na mesa, resta agora correr atrás de interessados em compartilhar essa corrida.

 

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